Rússia lançou mais de mil ataques contra Zaporíjia num dia, Ucrânia atinge paragem de autocarro perto da central nuclear
Ataque ucraniano perto da maior central nuclear da Europa, ocupada desde 2022 pela Rússia, volta a suscitar alertas para “grandes riscos para a segurança nuclear.”
Pelo menos duas pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas na cidade e região de Zaporíjia, no sul da Ucrânia. Segundo uma atualização do governador regional, Ivan Fedorov, divulgada esta quarta-feira no Telegram, as forças russas lançaram num só dia 1019 ataques contra 52 localidades, havendo 192 denúncias de danos a habitações, automóveis e infraestruturas.
As autoridades ucranianas registaram 19 ataques aéreos, 717 com drones, sete com rockets e 276 ataques de artilharia. Numa segunda atualização, o governador indica que as forças de defesa aérea neutralizaram 62 drones russos, evitando que "mais de 800 quilos de explosivos" atingissem os alvos na região. No Telegram, Ivan Fedorov alerta ainda para os cortes temporários de energia derivados do impacto dos ataques nas infraestruturas da rede de energia.
Já na madrugada de segunda para terça-feira, pelo menos uma pessoa morreu e outras 16 tinham ficaram feridas num ataque do exército ucraniano à cidade de Energodar, perto da central nuclear de Zaporíjia, controlada pela Rússia. O ataque foi confirmado esta quarta-feira pela Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA), que indica que foi informada de que o drone explodiu numa paragem de autocarro utilizada pelos trabalhadores da central pelas seis da manhã. “Não foram reportados danos de segurança ou proteção nuclear”, escreve a agência das Nações Unidas em comunicado.
No comunicado, Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da IAEA, alerta para os “grandes riscos para a segurança nuclear” deste tipo de ataques e apela aos comandantes militares responsáveis, pedindo o “fim imediato destas ações inaceitáveis”.
A central nuclear de Zaporijia, a maior da Europa, tem seis reatores de água pressurizada e uma capacidade elétrica total de 6000 megawatts. A infraestrutura é controlada pela Rússia desde 2022, tendo sido tomada cerca de um mês após o início da invasão.
Países estão a intensificar ataques de longo alcance
Dois anos e meio após o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, a diplomacia estagnou, e ambos os países estão a intensificar ataques de longo alcance.
Segundo o Ministério da Defesa russo, as forças russas abateram durante a noite 790 drones lançados pela Ucrânia sobre o território russo. Este é o segundo maior número de drones intercetados até o momento, depois do recorde de 822 neutralizados na madrugada de sábado para domingo. As interceções concentraram-se nas regiões de Belgorod, Bryansk, Kaluga, Krasnodar, Kursk, Lipetsk, Moscou, Oryol, Ryazan, Rostov, Tambov, Tula, Vladimir, Volgogrado e Voronezh, mas também ocorreram na Crimeia, entre outras áreas.
No sentido oposto, a Força Aérea da Ucrânia indica que a Rússia lançou 147 drones durante a noite e 111 foram abatidos ou intercetados. Um ataque com rockets russos no nordeste da Ucrânia deixou pelo menos 10 mortos e oito feridos, segundo Oleg Synegubov, chefe da administração militar da região de Kharkiv. O ataque ocorreu em Pechenihy, uma localidade situada a cerca de 60 quilómetros da capital da região, relatou o responsável na rede Telegram, acrescentando que as equipas de emergência ainda estavam no local. Casas e veículos foram danificados, assim como uma estação dos correios e uma loja.
De acordo com um relatório da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, o mês passado foi o mais letal para civis na Ucrânia desde maio de 2022, com 437 mortos e 2610 feridos. Só na noite de segunda para terça-feira, mais de uma dezena de pessoas morreram em diversos ataques cruzados russos e ucranianos.
Fonte: Expresso
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