Região de Moscou é atingida por uma onda de ataques de drones, enquanto mísseis russos matam 10 pessoas em uma vila ucraniana
As forças ucranianas lançaram um de seus maiores ataques com drones contra a Rússia desde a invasão iniciada por Moscou há mais de quatro anos, disparando quase 800 drones apenas dois dias após uma ofensiva semelhante, informaram autoridades nesta terça-feira.
Paralelamente, um ataque com mísseis russos contra um vilarejo na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, matou pelo menos 10 pessoas e feriu outras 17, destruindo casas, segundo autoridades.
Os dois países estão travando um duelo crescente de ataques aéreos de longo alcance. Os combates ao longo da linha de frente de cerca de 1.250 quilômetros, no leste e no sul da Ucrânia, são limitados pela presença de um grande número de drones e robôs terrestres que ameaçam a movimentação de tropas, e nenhum dos lados tem obtido avanços significativos no campo de batalha, afirmam analistas.
Putin resiste à pressão por negociações de paz
No último ano, a Ucrânia desenvolveu e empregou drones de longo alcance de fabricação nacional para realizar ataques em território russo, a grande distância da fronteira. Sua tecnologia de drones impressionou governos e fabricantes do setor de defesa em todo o mundo.
Autoridades em Kiev buscam fazer com que a população russa sinta as consequências da guerra e pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, a negociar um acordo de paz. Até o momento, Putin não demonstrou qualquer intenção de interromper a invasão.
“Putin continua a prolongar a guerra em vez de aceitar as propostas realistas de cessar-fogo da Ucrânia e acabar com o derramamento de sangue”, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, em uma publicação no X.
As defesas aéreas russas interceptaram, durante a noite, 791 drones ucranianos sobre várias regiões, bem como sobre a Crimeia anexada e os mares Negro e de Azov, informou o Ministério da Defesa em Moscou; tratou-se do segundo maior ataque com drones desde janeiro de 2025, segundo um levantamento da Associated Press.
Mais de 600 drones ucranianos voaram em direção à região de Moscou, onde 180 foram abatidos, disse o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, sem fornecer mais detalhes.
Autoridades relataram que não houve mortes nem danos graves. A Ucrânia tem lançado, com frequência crescente, enxames de centenas de drones para tentar sobrecarregar as defesas aéreas russas.
Na região que circunda a capital, três pessoas ficaram feridas, informou o governador Andrei Vorobyov.
Três pessoas também ficaram feridas na região vizinha de Riazan, onde três casas particulares foram danificadas, disse o governador Pavel Malkov.
O ataque ocorrido durante a noite provocou um incêndio em um galpão da Wildberries — a maior varejista online da Rússia — situado em uma zona industrial. A Ucrânia tem visado repetidamente a empresa, alegando que ela ajuda a abastecer as forças armadas russas — uma acusação que Moscou nega.
A Wildberries informou que suas instalações sofreram danos "insignificantes".
TV russa não noticia o ataque
A cobertura do ataque pela mídia estatal russa e pelos veículos alinhados ao Kremlin foi, em grande parte, discreta, como costuma ocorrer. Os principais canais de TV da Rússia — as emissoras estatais Russia 1 e Channel One — não mencionaram o ataque em seus noticiários matinais.
No entanto, a agência de notícias estatal russa RIA Novosti destacou o episódio entre as principais notícias da página inicial de seu site, descrevendo-o como "um dos ataques de maior escala contra Moscou desde o início do verão".
O jornal estatal Rossiyskaya Gazeta deu destaque em seu site a um resumo das informações divulgadas pelo governador da região de Moscou, Andrei Vorobyov, sobre o ataque, classificando-o como "massivo" na manchete. O tabloide MK, alinhado ao Kremlin, publicou uma breve notícia sobre o assunto em sua página inicial.
Zelensky acusa a Rússia de um "ataque brutal" contra civis
Um ataque com mísseis russos contra o vilarejo de Pechenihy, na região de Kharkiv, na Ucrânia, matou 10 civis — segundo informações preliminares —, afirmou Oleh Syniehubov, chefe da administração militar regional de Kharkiv.
Outras 17 pessoas ficaram feridas, disse ele. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o episódio como "um ataque brutal" que danificou 10 casas, um café, uma agência dos correios, uma loja e pelo menos sete veículos, segundo Syniehubov.
"Certamente responderemos a esse ataque russo", declarou ele nas redes sociais.
Além disso, três pessoas morreram e outras três ficaram feridas no último dia em ataques russos à região de Sumy, na Ucrânia, informou a Polícia Nacional do país.
Reino Unido promete manter apoio à Ucrânia
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, que assumiu o cargo no mês passado, afirmou que o Reino Unido continuará ao lado da Ucrânia, após a Rússia declarar que o suposto uso de drones britânicos por Kiev em ataques a solo russo acarretaria consequências não especificadas.
"Estamos fornecendo apoio para que a Ucrânia possa se defender; essa tem sido a posição britânica ao longo de todo o conflito, mantida pelos primeiros-ministros anteriores", disse Burnham. "E continua sendo a minha posição."
O jornal britânico *The Sunday Times* noticiou que duas empresas do Reino Unido fabricaram drones utilizados pela Ucrânia para atacar a Rússia.
Após a reportagem, a Embaixada da Rússia no Reino Unido declarou que "as ações de Londres inevitavelmente trarão consequências".
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, disse à televisão estatal russa que Moscou tem o direito de considerar o envolvimento britânico em ataques a território russo como "participação na guerra, com todas as consequências decorrentes".
Fonte: AP
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