Paramilitares russos matam nove pessoas no Mali, incluindo crianças, diz HRW
A Human Rights Watch alega que as mortes causadas por tropas do Africa Corps ocorreram na presença de soldados malineses.
Grupos paramilitares controlados pela Rússia no Mali mataram sumariamente nove civis, incluindo quatro crianças, um mês após terem matado vários outros em um ataque aéreo, afirma a Human Rights Watch (HRW).
Em um comunicado divulgado na quinta-feira, a HRW acusou o Africa Corps de realizar as execuções na presença de soldados malineses, no início do mês passado.
A organização de direitos humanos também alegou que dezenas de pessoas foram espancadas e pelo menos oito casas foram incendiadas.
“O governo militar do Mali parece ter dado sinal verde às forças do Africa Corps da Rússia para matar civis”, disse Ilaria Allegrozzi, pesquisadora sênior para o Sahel na HRW.
“As autoridades malinesas não podem se eximir da responsabilidade legal deixando as atrocidades a cargo do Africa Corps.
“Elas precisam investigar esses abusos de forma rápida e imparcial e responsabilizar todos os envolvidos, inclusive militares malinesos”, acrescentou Allegrozzi.
A HRW entrevistou testemunhas das supostas atrocidades entre 19 e 30 de julho.
Ao detalhar o incidente, o grupo informou que, em 10 de julho, mais de 100 combatentes do Africa Corps reuniram à força pelo menos 80 homens e meninos na aldeia de Bombori, na região central de Mopti.
Os paramilitares são acusados de agredir os homens e meninos na presença de soldados malineses enquanto os interrogavam sobre supostas ligações com grupos armados.
Seis civis foram mortos a tiros ao tentarem escapar, enquanto outros três foram detidos e executados. Um dos detidos teria sido decapitado, segundo a HRW.
O Mali vive uma guerra civil desde 2012, quando uma rebelião separatista tuaregue no norte deu origem a campanhas armadas. O governo liderado pelos militares enfrenta atualmente diversos grupos armados ligados à Al-Qaeda e ao ISIL (ISIS) e perdeu vastas áreas de território nos últimos anos.
Moradores relataram à HRW que o grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliado à Al-Qaeda, controla Bombori desde 2017, mas que combatentes do JNIM não estavam na aldeia no dia em que as mortes ocorreram.
A segurança na região do Sahel e na África Ocidental encontra-se em estado crítico, à medida que grupos armados disputam território e influência. As relações de Bamako com países ocidentais — particularmente com a França, sua antiga potência colonial — deterioraram-se desde que o Mali sofreu dois golpes militares em um intervalo de nove meses, com o atual governo assumindo o poder em maio de 2021.
A Rússia, por meio do Africa Corps (e anteriormente do Grupo Wagner), é agora a principal parceira militar do Mali no combate a uma aliança incomum de separatistas e grupos armados. Em troca de seu apoio, Moscou recebe pagamentos em dinheiro e acesso à vasta riqueza mineral do país, especialmente ao ouro.
Fonte: Aljazeera
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