Ataques de drones russos e ucranianos matam pelo menos 5 pessoas em cada país
Ataques de drones ucranianos na região ao redor de Moscou mataram cinco pessoas, informaram autoridades locais nesta terça-feira, enquanto autoridades da Ucrânia relataram que ataques aéreos russos no país também causaram a morte de pelo menos cinco civis.
Desde a invasão pela Rússia, há mais de quatro anos, a Ucrânia desenvolveu drones de longo alcance capazes de atingir alvos em território russo. No último ano, esses drones atingiram instalações petrolíferas, grandes depósitos de armazenamento e outras infraestruturas estratégicas.
Mais de 16.000 civis foram mortos na Ucrânia desde o início da invasão em larga escala pela Rússia, segundo as Nações Unidas, sendo que a grande maioria das mortes ocorreu em áreas sob controle do governo ucraniano. O número de vítimas tem aumentado continuamente a cada ano.
Paralelamente, a escalada de ataques de ambos os lados contra a navegação no Mar Negro reacendeu receios de que a segurança alimentar global possa ser colocada em risco.
Rússia diz que drone ucraniano matou 7 pessoas na costa do Mar Negro
O número de mortos em um ataque de drone ocorrido na segunda-feira na localidade turística russa de Arkhipo-Osipovka, no Mar Negro, subiu para sete — incluindo quatro crianças —, informaram as autoridades regionais.
Na manhã de terça-feira, as autoridades da região de Krasnodar atualizaram o número de feridos para 58, sendo que 21 deles permaneciam hospitalizados.
Imagens que circulam na internet mostram um drone atingindo uma praia lotada, com o som do que pareciam ser disparos de arma de fogo em rajada ao fundo. A Ucrânia não se pronunciou sobre o ataque.
Drones ucranianos atacam áreas próximas a Moscou e São Petersburgo
Um ataque de drones ucranianos na região de Moscou — que circunda a capital russa, mas não a inclui — deixou cinco mortos e dez feridos na manhã de terça-feira, informou o governador da região, Andrei Vorobyov.
A maior parte dos danos causados pelo ataque ocorreu no distrito municipal de Chekhov, onde vários incêndios deflagraram na zona industrial de Novoselki, disse Vorobyov.
Em mais um episódio de uma série de ataques contra a maior varejista online da Rússia, a Wildberries informou na terça-feira que seu armazém na região de Leningrado, situada ao lado de São Petersburgo, estava em chamas.
Na região de Tver, localizada entre Moscou e São Petersburgo, destroços de drones causaram danos "parciais" a uma parede de um armazém da Wildberries no vilarejo de Emmaus, segundo o governador da região, Vitaly Korolyov.
Nos últimos 18 dias, drones ucranianos atacaram 15 armazéns da Wildberries, sendo que 13 deles pegaram fogo, afirmou Robert Brovdi, comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia. Autoridades ucranianas afirmam que a empresa fornece produtos que podem ser utilizados pelas forças armadas russas. Kiev também busca desestabilizar a opinião pública russa por meio de ataques de grande repercussão.
De modo geral, o Ministério da Defesa da Rússia informou, na manhã de terça-feira, que suas defesas aéreas derrubaram 320 drones ucranianos durante a noite.
Rússia atinge portos e embarcações da Ucrânia
O Ministério da Defesa da Rússia informou, em comunicado divulgado na terça-feira, que suas forças "continuaram a atacar portos, embarcações e infraestrutura portuária da Ucrânia" — utilizados pelo exército de Kiev — durante a noite anterior.
No porto de Chornomorsk, na região de Odessa (sul da Ucrânia), os militares russos afirmaram ter atingido uma fábrica de componentes automotivos e um terminal portuário onde as forças ucranianas "realizavam reparos em veículos militares e armazenavam munição e combustível".
No porto de Mykolaiv, também no sul, um navio graneleiro que transportava carga militar foi danificado; já em Pivdennyi — outro porto ucraniano no Mar Negro —, uma embarcação que descarregava material militar foi atingida, segundo o comunicado.
O ministério informou ainda que dois navios graneleiros, que transportavam armas e equipamentos militares para portos ucranianos, foram danificados em alto-mar, ao sul de Odessa.
A Turquia reiterou, nesta terça-feira, seu apelo para que a Rússia e a Ucrânia garantam a segurança da navegação no Mar Negro, após dois navios de propriedade turca terem sido atacados por drones depois de deixarem o porto russo de Novorossiysk.
Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Turquia expressou preocupação com a crescente propagação da guerra pelo Mar Negro, ameaçando a navegação civil, e alertou que tais incidentes poderiam ter consequências mais amplas — inclusive para o abastecimento global de alimentos —, uma vez que volumes significativos de grãos, fertilizantes e outros produtos essenciais transitam por essas águas.
Ucrânia relata novo ataque russo com bombas planadoras
Ataques russos a Mykolaiv, incluindo seu porto, mataram uma mulher de 89 anos e feriram outras sete pessoas com idades entre dois e 83 anos, informaram autoridades regionais ucranianas.
O ataque russo a infraestruturas civis no sul da região de Odessa destruiu uma casa particular e feriu duas pessoas, segundo Oleh Kiper, chefe da administração militar regional.
Em outro local, na região de Sumy, no norte da Ucrânia, seis bombas planadoras russas mataram duas meninas — de 5 e 10 anos — e uma idosa, disse Oleh Hryhorov, chefe da administração militar regional de Sumy.
As forças russas também atacaram Kharkiv e 18 cidades e vilarejos da região norte nas últimas 24 horas, matando uma pessoa e ferindo outras sete, incluindo uma criança de 8 anos, afirmou Oleh Syniehubov, chefe da administração militar regional de Kharkiv.
Ataques em Balakliia, também na região de Kharkiv, causaram danos significativos a um prédio de apartamentos, uma biblioteca, três lojas e mais de 10 casas, ferindo duas mulheres, segundo autoridades locais.
Duas bombas planadoras de 250 quilos atingiram Kramatorsk, na região de Donetsk (leste da Ucrânia), na manhã de terça-feira, ferindo 22 pessoas, informaram autoridades locais.
Kramatorsk situa-se na extremidade norte do "Cinturão de Fortalezas" da Ucrânia, onde, segundo analistas ocidentais, o exército russo está empreendendo um novo esforço para romper as linhas defensivas após quatro anos de guerra de atrito.
Vadym Filashkin, chefe da administração militar regional, instou as pessoas que permanecem perto da linha de frente a evacuarem a área, ressaltando que a evacuação é gratuita e que as autoridades oferecerão assistência com transporte, alojamento e outros tipos de apoio necessários.
Fonte: AP
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