Arranca campanha no Brasil: Lula promete novo ministério de Segurança Pública, Flávio Bolsonaro convicto “num propósito de Deus” para o país
O senador e candidato do Partido Liberal (PL) a Presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, fez este domingo o seu primeiro ato oficial de campanha num discurso marcado por ataques ao chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva.
A campanha eleitoral no Brasil começa oficialmente este domingo, com a disputa de sondagens entre o atual Presidente do Brasil, Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, e o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal.
Os candidatos já podem apelar ao voto, divulgar as propostas, fazer campanha na internet e realizar eventos, como comícios, desfiles e arruadas, sendo que a propaganda em rádio e televisão só terá início a 28 deste mês.
Lula da Silva marcou um comício num estádio de futebol em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, onde fez história como líder sindical ao liderar greves no final da década de 1970, onde chegou a ser preso pelo regime militar do país.
Numa ação com o mote “Brasil pronto para mais”, com um discurso que durou pouco mais de meia hora, Lula falou do tempo de operário e recordou obras que cumpriu anteriormente como presidente do Brasil, relata o jornal "Folha de São Paulo".
Entre as promessas do atual Presidente, está a criação do Ministério da Segurança Pública.
Mais do que filho de Jair
Filho mais velho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro abriu o seu discurso comparando-se com o pai e dizendo que Deus tem uma proposta para o Brasil.
Usando um colete à prova de bala e camisa verde e amarela, as cores da bandeira brasileira, Flávio Bolsonaro discursou para apoiantes em cima de um camião de som na orla da praia de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, local tradicional das mobilizações dos bolsonaristas. “Estou aqui com toda a humildade, aceitando essa missão que o Presidente Bolsonaro me passou, porque eu tenho a convicção que há um propósito de Deus para o nosso país”, disse.
Como habitual nos seus discursos, Flávio Bolsonaro explorou o tema da segurança pública para atacar Lula da Silva e a esquerda, afirmando que a atual gestão "não enfrenta bandidos e assassinos".
O candidato considerou que a população perdeu soberania sobre os próprios bens e patrimónios, alvos de assalto e roubos, e referiu que irá resgatar a soberania do Brasil ao classificar o PCC, o Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas.
Flávio Bolsonaro criticou ainda o aumento da inflação e o endividamento das famílias brasileiras, referindo que "Lula é o caloteiro da esperança" e que está a endividar o país, além de associar escândalos de corrupção ao PT.
No campo da política externa, o senador disse ainda que é o único que tem "credibilidade e capacidade para resgatar a credibilidade do Brasil perante o mundo" e que os eleitores podem escolher "dois caminhos: ou o caminho da prosperidade, ou o caminho das trevas".
"Porque eu sou o único que se pode sentar com os Estados Unidos, com a China, com Israel, com o Médio Oriente, com a Índia e com a Argentina e fazer os melhores e maiores acordos comerciais pelo bem da nossa nação", acrescentou.
O senador disse também que será o próximo Presidente do Brasil porque vai "enfrentar o sistema podre" e prometeu fazer mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesse sentido, prometeu indicar juízes para o STF contrários ao aborto, à legalização das drogas, que "não vão perseguir adversários políticos" e que "respeitarão a Constituição".
Em vários momentos do seu discurso, fez referência ao seu pai, que está prisão domiciliária em Brasília, e disse que Jair Bolsonaro sempre defendeu a democracia.
O senador disse que, mais que filho de Jair, “é filho do Brasil” e que todos ali são irmãos, resgatando várias frases atribuídas ao seu pai, como "Deus acima de tudo".
Antes do discurso de Flávio Bolsonaro, vários políticos e candidatos do PL fizeram ataques ao PT, chamando o partido de esquerda de "Perda Total", com várias menções bíblicas e momentos que remetem para cultos evangélicos brasileiros.
A primeira volta das eleições no Brasil está maracada para 4 de outubro, com 13 candidatos na corrida pelo lugar no Palácio do Planalto. Caso haja uma segunda volta, dois candidatos voltam a enfrentar-se numa votação final agendada para 25 de outubro.
Atualmente, as principais sondagens de intenção de voto para as eleições gerais no Brasil mostram Flávio Bolsonaro em segundo lugar, atrás de Lula da Silva, que concorre para um quarto mandato.
Segundo o último levantamento da Quaest, divulgado na sexta-feira, o candidato do PT tem 38% das intenções de voto na primeira volta e Flávio Bolsonaro tem 31%. No cenário de uma segunda volta, Lula tem 43% e o candidato do PL tem 40% das intenções de voto dos eleitores.
Fonte: Expresso
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