Trump diz que Israel “não sobreviveria” sem os EUA e que vende caças F-35 à Turquia se assim entender
Nos momentos que antecedem o encontro entre os chefes de governo dos Estados Unidos e de Israel, o primeiro falou aos jornalistas e expôs as fissuras com o segundo. Donald Trump considera que não é Telavive que decide se Washington venderá caças F-35 a Ancara.
Donald Trump garantiu que não se vai coibir de vender caças F-35 à Turquia, mesmo que a decisão não agrade ao primeiro-ministro israelita. A medida reduziria a vantagem militar que Israel detém no Médio Oriente (já que é o único país da região que possui F-35). Na véspera do encontro desta terça-feira com Benjamin Netanyahu, na Casa Branca, o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) garantiu que Israel “não sobreviveria” sem o apoio americano.
Trata-se do primeiro encontro entre os dirigentes dos dois Estados desde que iniciaram, em conjunto, uma guerra contra o Irão, em fevereiro passado. Desde então, Trump já anunciou um cessar-fogo com o Irão em abril — apesar da divergência de Israel quanto ao que fora alcançado no conflito —, e a relação do Governo israelita com Washington tem estado tremida.
Na segunda-feira, o Presidente dos EUA reconheceu “uma pequena diferença” entre os seus objetivos militares e os de Netanyahu. Trump admitiu tensões recorrentes com o primeiro-ministro israelita e declarou aos jornalistas, enquanto viajava no Air Force One para o Michigan, que os EUA têm sido excessivamente generosos. Foi neste tom que se referiu ao seu aliado: “Francamente, estamos a ser muito simpáticos com muitos países que não sobreviveriam sem nós. E sabem quem não sobreviveria sem nós? Israel.”
‘Bibi’ contra venda de caças a Erdogan
Apesar de se tratar do primeiro encontro entre Trump e Netanyahu desde o início da guerra contra o Irão, será o oitavo entre os dois desde que o Presidente republicano regressou ao cargo, no ano passado. A visita acontece a pretexto do funeral do senador republicano Lindsey Graham, influente defensor da guerra com o Irão e aliado fundamental de Netanyahu em Washington, além de apoiante converso tardio de Trump.
Antecipando a conversa com o Presidente dos EUA Netanyahu asseverou que o principal tema e prioridade seria o Irão, mas que “todos os assuntos” estariam na agenda. O jornal britânico “Financial Times” cita fonte próxima do Governo israelita, segundo a qual Netanyahu vai a Washington em “modo de escuta”, mas pretendendo que os EUA alarguem operações contra o Irão para lá do estreito de Ormuz. Israel tem insistido para que os objetivos da guerra se mantenham como previsto de início: destruir as capacidades nucleares e de mísseis balísticos do Irão e derrubar o seu regime.
O chefe do Governo israelita também se prepara para conversar com Trump sobre a venda dos caças à Turquia. Este último afirmou, este mês, depois de se ter reunido em Ancara com o seu homólogo Recep Tayyip Erdogan, que “certamente ponderaria” vender à Turquia os caças, que utilizam tecnologia furtiva para evitar a deteção.
Netanyahu tem mostrado oposição à medida, argumentando que “destruiria o equilíbrio de poder no Médio Oriente”. Mentém críticas a Erdogan, que se posiciona como crítico acérrimo da guerra de Israel em Gaza e das operações na Síria. O chefe do Executivo israelita considera o Governo de Erdogan “um regime infetado pela Irmandade Muçulmana, que odeia os EUA”. Trump contrapôs, segunda-feira, que Erdogan é seu “amigo”, e que “ninguém” lhe diz o que vender ou não.
Washington retirou a Turquia do projeto F-35 em 2019, depois de Ancara ter recebido o sistema de defesa aérea russo S-400, visto como ameaça pelos EUA. Também impôs sanções à agência responsável pelas compras de defesa da Turquia. Seria necessário mais do que o levantamento das sanções para possibilitar a entrega dos caças: a lei dos EUA proíbe a transferência de F-35 para a Turquia enquanto esta possuir o S-400 ou o seu equipamento associado.
Num gesto de boa vontade, Israel anunciou que irá permitir a entrada de uma força multinacional de estabilização em Gaza, com soldados de Marrocos e do Uganda, como previsto no plano de Trump. Esta medida foi concebida para gerar confiança no americano.
Fonte: Expresso
Comentários
Enviar um comentário