Incêndios em França: chamas a 15 quilómetros da cidade de Bordéus, há três mil portugueses nas áreas afetadas
“Os franceses nunca tinham visto nada assim. Pensavam que só acontecia em Portugal, Espanha e na Grécia”, diz vereador português de cidade vizinha de Bordéus. Onda de calor poderá afetar ainda mais fenómeno atmosférico conhecido como “tempestade de fogo”. Mais de 325 mil pessoas retiradas em França e Espanha.
França e Espanha continuaram este domingo a enfrentar incêndios que obrigaram a retirar mais de 325 mil pessoas, numa altura em que as previsões meteorológicas alertam para uma onda de calor no sudoeste francês a partir de terça-feira.
No sudoeste francês, que inclui o departamento de Gironda, a capital, Bordéus, tem as chamas a 15 quilómetros da aglomeração urbana e a situação poderá agravar-se devido ao calor, um cenário que também pode afetar várias regiões espanholas, segundo a agência noticiosa francesa AFP. A cidade tem 850 mil habitantes, mas a evacuação "não está prevista", disse o presidente da Câmara de Bordéus, Thomas Cazenave.
O incêndio gigantesco registado no departamento de Gironda já consumiu 240 habitações e cerca de 220 mil pessoas foram retiradas desde quarta-feira, provavelmente a maior operação deste tipo alguma vez realizada em França, fora de contexto de conflito, segundo o Governo. Nesta costa atlântica francesa, já arderam, até ao momento, 42 mil hectares (quatro vezes a área de Paris), "ou seja, mais 10 mil" do que no sábado, segundo fontes locais.
Cerca de três mil dos mais de 20 mil portugueses que vivem no departamento francês da Gironda (sudoeste) residem nas áreas afetadas pelo fogo. A estimativa foi transmitida à agência Lusa por Valdemar Félix, antigo conselheiro da comunidade portuguesa na região e atual vereador da câmara de Lormont, uma cidade de 27 mil habitantes situada a cerca de 10 quilómetros do centro de Bordéus. Apesar dos contactos feitos pela Lusa, não foi possível apurar informações sobre o número de portugueses já retirados para centros de acolhimento na região.
“Os franceses nunca tinham visto nada assim. Pensavam que só acontecia em Portugal, Espanha e na Grécia”, afirmou o autarca de nacionalidade portuguesa. “A coluna de fumo é visível a cerca de 80 quilómetros de distância de Bordéus e a atmosfera está irrespirável”, acrescentou. A região está transformada "num cenário de guerra", com várias estradas cortadas - como a A63, que liga Bordéus a Bayonne, na fronteira com Espanha.
Embora não se tenham registado vítimas civis, 75 bombeiros ficaram feridos, dos quais dez tiveram de ser retirados do terreno.
As altas temperaturas previstas poderão agravar o fenómeno atmosférico "pyrocumulonimbus", conhecido como “tempestade de fogo”. A autarca de Gironda, Sophie Brocas, receia tal cenário, após informações divulgadas pela agência meteorológica Météo-France, que prevê uma potencial onda de calor no sudoeste a partir de terça-feira, com máximas até aos 40 graus e ventos um pouco menos fortes, mas mais secos.
Após uma reunião da célula de crise que será organizada na segunda-feira de manhã pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, o Governo irá reunir com caráter de urgência os profissionais dos setores do turismo, da energia, das telecomunicações e dos seguros.
Fonte: Expresso
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