Incêndios em Espanha: Rei apela à "união" perante "maior incêndio da história recente", Sanchéz fala em "efeitos da crise climática"

 


Situação em Madrid e Ávila continua a evoluir de forma positiva, mas área ardida já ultrapassa 77 mil hectares. Vall d'Uixó é novo foco de preocupação e já obrigou a retirada de 16 mil pessoas. Felipe VI apela a governantes para garantir "todos os meios", Sanchéz insiste no “pacto de Estado contra as alterações climáticas.”

Os incêndios em Espanha já consumiram 77 mil hectares e o fogo em Ávila é já considerado o "maior incêndio florestal da história recente de Espanha". De acordo com a ministra para a Transição Ecológica espanhola, só este incêndio já consumiu 47 mil hectares, aos quais acrescem 27 mil hectares de área ardida na Comunidade de Madrid e dois mil hectares em Toledo. Estes três incêndios estão a ser combatidos como um só por estarem em territórios vizinhos.

Paralelamente, as autoridades estão também preocupadas com o fogo que deflagrou no sábado no município de Vall d'Uixó (Castellón) e que obrigou à retirada de mais de 16 mil pessoas de 15 municípios. Este incêndio já queimou perto de 4.300 hectares e continuava descontrolado durante a tarde deste domingo.

Sara Aagesen frisou que o país está a atravessar uma época de incêndios “extraordinariamente complicada”. Segundo o Governo espanhol, o total de área ardida em Espanha este ano já ultrapassa os 150 mil hectares. Desde janeiro foram registados 32 grandes fogos florestais.

Desde quinta-feira, mais de 35 mil pessoas já tiveram de ser retiradas das suas casas e outras 20 mil tiveram de ser confinadas devido aos incêndios. Quando são ainda esperados mais evacuações, o rei Felipe VI apelou este domingo à "união" dos espanhóis e pediu aos governantes que “garantam que todos os meios possíveis estão a ser utilizados” no combate aos fogos. O monarca falou aos jornalistas após a visita ao complexo desportivo La Chopera, em Villamanta (Madrid), onde estão cerca de 200 pessoas que foram retiradas das suas habitações.

“Estou muito preocupado e ainda temos um longo verão pela frente”, disse o rei. Lamentando a perda de património natural “incalculável”, Felipe VI pediu também uma “reflexão sobre o futuro” e sobre "o que pode ser feito melhor" fora da época de incêndios. O monarca deixou ainda um elogio à “coordenação exemplar" entre as administrações e admitiu que “provavelmente será necessário reforçar ainda mais” o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.

Já durante a manhã deste domingo, o presidente do Governo espanhol tinha dado conta de uma “noite muito positiva” em que tinham sido controladas várias frentes, embora antecipasse ainda "horas complexas". Durante uma visita ao posto de comando em Navaluenga, Ávila, Pedro Sanchéz frisou que “toda a Península Ibérica está a sofrer os efeitos da emergência climática de uma forma muito específica”, incluindo os incêndios e fortes tempestades que têm afetado Portugal e Espanha. E voltou a defender a necessidade de um "pacto de Estado contra as alterações climáticas".

“Não só temos de dar uma resposta adequada e proporcional à magnitude destas emergências climáticas, como também temos de incorporar o conhecimento científico para melhorar as políticas públicas em benefício dos nossos cidadãos”, disse o governante.

Numa atualização ao início da noite, o ministro da Administração Interna espanhol confirmou que os incêndios em Madrid e Ávila continuaram a evoluir de forma positiva ao longo deste domingo, mas salientou que a situação está a "avançar muito lentamente". De acordo com Fernando Grande-Marlaska, há ainda vários focos do incêndios ativos e mantém-se o risco de reacendimentos.

Espanha já declarou a situação emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo. Segundo o El Mundo, o Conselho de Ministros espanhol deverá declarar as regiões como “zonas gravemente afetadas por emergências de proteção civil”, devendo o decreto ser aprovado na terça-feira com medidas de apoio específicas, nomeadamente para quem sofreu perdas em habitações e empresas. A agência EFE noticiou ainda que o presidente do Governo deverá visitar a área de Castellón na segunda-feira.

No sábado, partiram da Guarda para apoiar o combate ao fogo em Ávila 128 operacionais provenientes da estrutura de Comando e da Força Especial de Proteção Civil da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), dos corpos de bombeiros da sub-região das Beiras e Serra da Estrela e da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR. Segundo um ponto de situação feito pelo comandante David Lobato à Lusa, os operacionais portugueses estão a trabalhar ‘non-stop’, mas as condições “não são animadoras”.

“Os meios que temos no terreno não têm a capacidade de extinguir esse incêndio, por mais que aviões que lá colocamos não chegam, a água não chega ao solo devido à energia que é libertada, portanto são incêndios que têm de ser geridos, não têm de ser apagados numa primeira fase, têm de ser geridos, e sabermos quando é que temos a capacidade e a janela de oportunidade para o extinguir”, explicou o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, que está a chefiar o grupo português mobilizado.


Fonte: Expresso

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