Epstein estava ligado ao "Estado profundo" de Israel e à inteligência dos EUA, diz Vance: o que sabemos

 


Em uma entrevista de podcast, Vance também reconhece que o governo Trump "pisou na bola" na comunicação sobre os arquivos de Epstein.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirma que Jeffrey Epstein “parecia estar ligado” a elementos do “Estado profundo israelense”, bem como aos “mais altos escalões da inteligência americana”.

Em uma entrevista abrangente concedida ao podcaster Joe Rogan na quarta-feira, Vance também reconheceu que o governo Trump “cometeu erros” na comunicação a respeito dos arquivos de Epstein.

Epstein era conhecido como financista e figura da alta sociedade antes de ser condenado por vários crimes sexuais nos EUA.

Conhecido por sua vasta rede de conexões com a elite mundial, ele foi encontrado morto em sua cela em Nova York, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

Ele se declarou culpado em um tribunal da Flórida e foi condenado por aliciar uma menor para prostituição em 2008, mas críticos classificam essa condenação — considerada relativamente branda — como um acordo excessivamente favorável. Suas vítimas alegaram que ele operava uma ampla rede de tráfico sexual utilizada por membros da elite.

Além do caso Epstein, Vance também abordou a política externa dos EUA, a guerra contra o Irã e as relações entre EUA e Israel em sua entrevista, que durou quase três horas e foi assistida mais de um milhão de vezes no YouTube em menos de 24 horas.

Aqui está o que sabemos sobre a entrevista:

O que Vance disse sobre Epstein?

Com quase uma hora e 47 minutos de entrevista, o apresentador Rogan pergunta a Vance: "Bem, a maioria das pessoas acha que ele [Epstein] era do Mossad."

Vance responde: "É, Mossad ou CIA ou algum outro 'Estado profundo' [deep state], seja na América, em Israel ou em outro país. Ele claramente tinha conexões com os escalões superiores da inteligência americana. Ele claramente tinha conexões com os mais altos níveis da inteligência israelense."

O vice-presidente dos EUA afirma então que Epstein "parecia estar ligado a elementos do 'estado profundo' israelense que eram de centro-esquerda".

"Não é como se ele fosse extremamente ligado à centro-direita da política israelense", disse ele, acrescentando que o criminoso sexual — cuja reputação foi arruinada — tinha amigos tanto na esquerda quanto na direita nos EUA.

"Nos Estados Unidos, ele tinha amigos em todo o espectro político, de uma forma que não tinha necessariamente em Israel", disse Vance.

Vance, no entanto, também afirmou que não existem documentos ligando Epstein diretamente a agências de inteligência dos EUA ou a alguma agência estrangeira. Ele prosseguiu dizendo que, "se isso [tal documento] existisse, não existiria em 2026".

Existem evidências ligando Epstein a Israel?

O Departamento de Justiça dos EUA divulgou, em janeiro de 2026, 3,5 milhões de arquivos relacionados a Epstein, conhecidos como "arquivos Epstein". Nenhum dos arquivos revela explicitamente que Epstein era um agente de inteligência.


Ainda assim, muitas informações foram reveladas.

Um memorando do FBI de 2020 indicava que uma de suas fontes acreditava que o falecido criminoso sexual "era um agente cooptado do Mossad" que havia sido "treinado como espião".

Os arquivos também mostram que Epstein mantinha uma extensa troca de e-mails com políticos israelenses de alto escalão, incluindo o ex-ministro da Defesa Ehud Barak e o veterano do Mossad Yoni Koren, que visitava frequentemente a residência de Epstein em Nova York.

Os e-mails sugerem uma relação próxima; Epstein teria, inclusive, custeado o tratamento de câncer de Koren em 2012.

Epstein também financiou organizações israelenses por meio de sua fundação, incluindo uma doação de 25 mil dólares para a *Friends of the Israel Defense Forces* (organização de apoio às Forças de Defesa de Israel/exército israelense) e 15 mil dólares para o Fundo Nacional Judaico.

As acusações de que Epstein trabalhava para Israel foram tão persistentes que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recorreu às redes sociais para abordar o assunto.

"A relação incomumente prxima de Jeffrey Epstein com Ehud Barak não sugere que Epstein trabalhava para Israel. Ela prova o contrário", escreveu Netanyahu em fevereiro.

Quem é Pam Bondi e o que Vance disse sobre ela? Durante a entrevista, Vance também disse não acreditar que houvesse qualquer intenção maliciosa nas ações do Departameto de Justiça sob a gestão da ex-Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi.

Apesar da exigência da "Lei de Transparência dos Arquivos Epstein" para que o Departamento de Justiça divulgasse todos os documentos em novembro, Bondi e seu departamento ainda retiveram arquivos relacionados a Epstein.

Ela também ficou conhecida por afirmar que uma suposta "lista de clientes" de Epstein estava "sobre a minha mesa agora mesmo" — algo que se provou falso. Ela foi demitida em abril, em meio ao caos em torno dos arquivos de Epstein.

“Eu conheço a Pam. Gosto da Pam. Não acho que houve qualquer intenção maliciosa”, disse Vance a Rogan. “Acho que a Pam estava tentando reagir ao momento político. Acho que ela exagerou sobre o que tínhamos e o que não tínhamos.”

Como resultado, disse Vance, Bondi foi duramente criticada em público por isso, o que levou as pessoas a desconfiarem dos esforços da administração em prol da transparência em relação aos arquivos do caso Epstein.

“Nós erramos feio na comunicação sobre os arquivos do caso Epstein. Simplesmente erramos”, disse Vance. “Mas será que acho que o motivo de termos errado na comunicação foi uma tentativa de esconder algo? Não.”


Fonte: Aljazeera

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