Copa do Mundo da FIFA 2026: As principais conclusões das semifinais
As semifinais ficaram para trás, deixando muitos momentos decisivos e incidentes para assimilar antes da final de domingo.
Após 102 jogos ao longo de cinco semanas, a Copa do Mundo da FIFA chega à sua primeira final entre duas seleções de língua espanhola desde o torneio inaugural, em 1930.
E, pela primeira vez, a decisão do título colocará frente a frente a Argentina — atual campeã mundial e da Copa América — e a Espanha, atual campeã europeia.
Nas semifinais, a França facilitou a vida da Espanha ao ceder um pênalti logo no início da partida, que terminou com vitória de 2 a 0 para *La Roja*.
A Inglaterra complicou a vida da Argentina antes de sua retranca defensiva acabar cedendo na reta final. A vitória de 2 a 1 da *Albiceleste* mandou o *English Team* para casa de cabeça baixa.
Aqui estão os principais destaques das semifinais:
Espanha supera a França em todos os setores do campo
Um dia após completar 19 anos, Lamine Yamal levou a melhor sobre o lateral-esquerdo francês Lucas Digne, sofrendo um pênalti. A Espanha aproveitou o presente, com Mikel Oyarzabal convertendo a cobrança aos 22 minutos. Muita coisa aconteceu na partida — vencida pela Espanha por 2 a 0 —, mas nada foi mais decisivo do que o lance em que Digne atingiu Yamal, aparentemente pego de surpresa ao tentar um corte.
Enquanto isso, com Dani Olmo, Rodri e Fabián Ruiz dominando o meio-campo, Marc Cucurella e Pedro Porro fechavam as laterais.
Isso significava que Pau Cubarsí e Aymeric Laporte precisavam apenas conter Kylian Mbappé. Unai Simón chegou a sair da área algumas vezes — parando um Mbappé em velocidade supersônica e, em seguida, recuando para impedir a ação de Désiré Doué.
O gol de Porro, aos 58 minutos, ampliou a vantagem. E a estratégia espanhola de manter a posse de bola fez com que segurar os favoritos do torneio parecesse uma tarefa relativamente fácil.
A Espanha evoluiu desde o empate em 0 a 0 na estreia contra Cabo Verde, em parte devido à inclusão de Olmo no meio-campo. Luis de la Fuente também manteve Olmo no banco no início da campanha da Espanha na Eurocopa de 2024, antes de o jogador entrar na equipe titular e marcar gols ou protagonizar jogadas decisivas em quatro partidas.
À espera de Zizou
Pouca coisa deu certo para Didier Deschamps em seu 186º jogo no comando da França.
Talvez Deschamps tenha permanecido no cargo por tempo demais; *Les Bleus* tiveram azar ou simplesmente não são tão competentes ou versáteis quanto os cofavoritos. De qualquer forma, Deschamps comandará a equipe na disputa pelo terceiro lugar, antes que o ex-craque Zinedine Zidane assuma o posto.
Como costua acontecer na Copa do Mundo, as seleções europeias não estão acostumadas com arbitragens de fora da UEFA, e Deschamps questionou o nível do árbitro salvadorenho Ivan Barton após a partida. No entanto, o momento para isso é anterior ao jogo, e tal contestação cabe aos dirigentes da federação, nos bastidores.
Sim, um árbitro da América Central muitas vezes conduz a partida de forma diferente de um colega europeu. Portanto, Deschamps provavelmente não deveria ter sido pego de surpresa quando Adrien Rabiot recebeu um cartão amarelo; uma vez advertido, não havia como arriscar mantê-lo em campo. Por outro lado, Deschamps também pode ter corrido riscos com Aurélien Tchouaméni, que não parecia estar em plena forma física após uma lesão na coxa. Eis a situação do meio-campo central da França.
Depois, há o tão aclamado ataque francês.
Deschamps orientou Michael Olise a recuar para escapar da marcação de Rodri, mas o jogador acabou recuando demais para ser efetivo. O substituto Rayan Cherki mudou o ritmo do jogo, mas já era tarde. Bradley Barcola não conseguiu superar Porro. O reserva Désiré Doué teve uma chance com o goleiro Simon adiantado, mas chutou em cima dele, em vez de tentar uma cobertura.
Pouco pôde fazer Deschamps em relação a William Saliba, que deixou a partida no primeiro tempo devido a um problema nas costas.
Messi cria jogadas e triunfa contra a Inglaterra
A Argentina parecia excessivamente dependente de Lionel Messi durante os seus cinco primeiros jogos. Messi somou oito gols, mas as vitórias apertadas contra Cabo Verde e Egito revelaram as vulnerabilidades da *Albiceleste*.
Então vieram as quartas de final: Messi deu uma assistência, mas a Argentina não precisou que ele marcasse o gol na vitória sobre a Suíça, conquistada na prorrogação. A *Albiceleste* estava, talvez, tornando-se menos dependente de Messi.
Nas semifinais, mais uma vez, nada de gols de Messi – o que significou ter de esperar até os 40 minutos do segundo tempo para Enzo Fernández empatar o jogo contra a Inglaterra.
O gol de Fernández surgiu de sua disposição em arriscar chutes de longa distância, em vez de sempre passar a bola para Messi.
Fernández chutou para fora duas vezes, mas acertou o alvo na terceira tentativa. Messi serviu Fernández pela direita e, por isso, a Inglaterra passou a marcar o argentino com dois defensores nos minutos finais (incluindo os 12 minutos de acréscimos). Mas não adiantou. Messi simplesmente cruzou com o pé direito para o gol da vitória, marcado por Lautaro Martínez.
Com isso, Messi soma gols ou assistências em 11 jogos consecutivos de Copa do Mundo desde 2022, ampliando a maior sequência do torneio em pelo menos 60 anos.
Chore por mim, Argentina
Foi um momento emocionante para os atacantes argentinos Lautaro Martínez e Giuliano Simeone, que se emocionaram e choraram durante as entrevistas após a partida.
Martínez disse que sonhava em marcar "aquele gol" desde o dia em que seu pai lhe comprou seu primeiro par de chuteiras.
Simeone afirmou ter ficado surpreso ao saber que seria titular — apenas a sua segunda participação na Copa do Mundo.
Cedo demais para Tuchel
A estratégia de fechar a defesa funcionou bem para a Inglaterra contra o México e a Noruega.
Contra a Argentina, Thomas Tuchel optou por uma linha de cinco defensores aos 72 minutos, logo após a pausa para hidratação. No entanto, mesmo com Ezri Konsa, além de Dan Burn e Nico O’Reilly, a Inglaterra não conseguiu segurar a vantagem.
Uma maneira de superar uma defesa muito fechada é através de chutes de longa distância — algo que faltou ao México e à Noruega —, mas Tuchel talvez não contasse com o talento de Fernández.
Quanto à ameaça de contra-ataque, ela desapareceu quando Anthony Gordon foi substituído, permitindo que a Argentina lançasse toda a equipe ao ataque na meia hora final (que incluiu 12 minutos de acréscimos).
Tuchel também foi questionado por não ter utilizado Marcus Rashford mais cedo ou por não ter colocado Bukayo Saka em campo em momento algum. Eles poderiam ter criado uma chance para um segundo gol ou, pelo menos, ajudado a aliviar a pressão argentina pelas pontas.
Fonte: Aljazeera
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