Copa do Mundo da FIFA 2026: As principais conclusões das quartas de final



As quartas de final ficaram para trás, repletas de momentos decisivos e incidentes, à medida que o torneio entra na fase das quatro melhores equipes.

Quatro ex-campeões se classificaram para as semifinais da Copa do Mundo da FIFA pela primeira vez desde 1990. Argentina, Inglaterra, França e Espanha aproveitaram a inexperiência de adversários de menor tradição para chegar entre os quatro finalistas.

Para a Albiceleste, foi um mergulho imprudente de um suíço.

Contra o Three Lions e a La Roja, os goleiros adversários soltaram a bola, permitindo rebotes.

E os Bleus se beneficiaram de uma escalação inexplicável de Marrocos, que não contava com nenhum atacante de ofício.

Aqui estão os principais pontos das quartas de final:

França supera Marrocos com vitória por 2 a 0 em Boston

O que aprendemos: nada funciona contra a França, até agora.

Marrocos tentou uma estratégia diferente para desestabilizar os franceses. Mohamed Ouahbi optou por uma escalação sem atacantes, o que, como era de se esperar, não ofereceu perigo.

Após a partida, o técnico da França, Didier Deschamps, disse o que todos na sala pensavam: "Fiquei bastante surpreso com a escalação inicial. Tentei entender por que [Ouahbi] fez essas escolhas, sem nenhum atacante de verdade".

Parte do motivo pode ter sido a ausência do atacante lesionado Ismael Saibari, que vinha fazendo um torneio de destaque, embora o elenco de Marrocos contasse com outros três atacantes — incluindo Soufiane Rahimi, que entrou aos 15 minutos do segundo tempo. Isso aconteceu logo depois que um chute de direita de Kylian Mbappé, com efeito e mirando o canto oposto, abriu o placar para os *Bleus*.

O raciocínio de Ouahbi permanece um mistério.

Talvez ele esperasse um gol contra da França — algo que quase aconteceu quando uma tentativa desajeitada de Dayot Upamecano acabou caindo sobre a rede, por cima do gol. Ou talvez a estratégia fosse confiar que o goleiro Yassine Bounou continuaria salvando Marrocos, como fez anteriormente na mesma partida ao defender um pênalti cobrado por Mbappé no primeiro tempo, após uma revisão de mais de dois minutos pelo VAR (árbitro de vídeo).


Espanha marca gol da vitória no fim e derrota a Bélgica por 2 a 1 em Los Angeles.

Um chute de um jovem jogador do Barcelona resultou no gol da vitória da Espanha sobre a Bélgica – mas não, não foi a jovem promessa Lamine Yamal, que marcou apenas um gol no torneio.

Com o placar empatado e o excelente goleiro belga Thibaut Courtois no banco devido a uma lesão, Cubarsi avançou e, inesperadamente, arriscou um chute de quase 30 metros de distância.

O goleiro reserva Senne Lammens pode ter sido pego de surpresa – aquela foi a primeira tentativa de Cubarsi desde o primeiro tempo do empate em 0 a 0 da Espanha contra Cabo Verde, em 15 de junho.

De qualquer forma, o chute complicou a defesa de Lammens – na verdade, o próprio goleiro se atrapalhou –, deixando a bola sobrar para Mikel Merino, que marcou de perto o gol da vitória aos 88 minutos.

Portanto, não, Cubarsi não está lá para criar jogadas de ataque. Mas o fato de um jovem de 19 anos ser titular na defesa da Espanha é significativo. Poucas equipes bem-sucedidas em Copas do Mundo apostaram em zagueiros tão jovens; uma exceção foi o italiano Giuseppe Bergomi, que tinha 18 anos quando jogou em 1982, substituindo o lesionado Fulvio Collovati.

Cubarsi teve dificuldades em alguns momentos contra os belgas, mas não se deixou intimidar pelo imponente atacante reserva Romelu Lukaku. A Bélgica tornou-se a primeira equipe a marcar contra a *La Roja* no torneio, mas o segredo da defesa espanhola não é tanto fechar-se lá atrás, e sim manter a posse de bola ao estilo do Barcelona – e é aí que Cubarsi se sente mais à vontade.

Enquanto isso, o atacante reserva Merino tem trazido um impacto ofensivo quase imediato, marcando dois minutos após entrar em campo contra a Bélgica e cinco minutos depois de entrar contra Portugal, na vitória por 1 a 0 nas oitavas de final.

O que nós – e a França – também aprendemos é que a marcação dupla sobre Jeremy Doku anulou facilmente Yamal, de 18 anos; isso significa que podemos esperar o mesmo tratamento para Désiré Doué nas semifinais.

Inglaterra derrota a Noruega por 2 a 1 em Miami

O que aprendemos: Primeiramente, a Noruega ainda tem muito a aprender. Além disso, não confie no que vê quando se trata da bola "conectada" da Copa do Mundo, cujo "batimento cardíaco" insistiu que um tiro de meta de Orjan Nyland não havia atingido o cabo de uma câmera de TV.

Durante a primeira fase, o técnico da Noruega, Stale Solbakken, deixou claro que sua seleção não era um "país ingênuo, jogando por diversão", ao poupar todos os titulares antes da derrota por 4 a 1 para a França.

A ideia era manter as estrelas Erling Haaland e Martin Odegaard no torneio até a fase de mata-mata. A estratégia de Solbakken funcionou bem até as quartas de final, quando os noruegueses acabaram expostos.

É verdade que o inglês Elliot Anderson caiu como se tivesse levado uma cabeçada de Zinedine Zidane, ao estilo de 2006. Mas não: foi apenas um empurrão de Haaland, o que levou à anulação de um gol da Noruega após revisão do VAR. Esse não seria o único momento de ingenuidade norueguesa.

Já no fim do primeiro tempo, uma jogada de dois contra um terminou com Alexander Sorloth falhando ao tentar tocar para Haaland e não conseguindo superar John Stones.

Depois, em vez de gastar o tempo dos acréscimos para proteger a vantagem de 1 a 0, Nyland cobrou um tiro de meta longo que pareceu mudar de trajetória repentinamente e cair nos pés de Anderson — o que gerou a acusação de Solbakken aos árbitros sobre uma interferência de cabos de TV. Nada demais aconteceu ali — pelo menos essa é a versão da FIFA. Anderson rapidamente acionou Anthony Gordon, que passou para Jude Bellingham, e a Inglaterra empatou antes do intervalo.

A defesa norueguesa pelas laterais foi prejudicada pela saída de Julian Ryerson, lesionado. Mas foi preciso esperar até o terceiro minuto dos acréscimos para que Bukayo Saka conquistasse um escanteio em disputa com Marcus Holmgren Pedersen. Nyland desviou uma tentativa de cobertura de Harry Kane para outro escanteio — e lá estava Bellingham novamente, desta vez para converter o rebote de um chute de Morgan Rogers.

Então, com Haaland no banco, a Noruega teve uma última chance. Pelo menos foi o que pensou o alto zagueiro norueguês Kristoffer Ajer, depois que o goleiro inglês Jordan Pickford e um defensor se chocaram, deixando o gol livre. Mas o árbitro francês Clement Turpin não concordou: paralisou a partida e advertiu Ajer por reclamação.

Thomas Tuchel disse que seu time teve "sorte". Mas as evidências e a experiência indicam que os *Three Lions* construíram a própria sorte.

A Argentina, atual campeã, elimina a Suíça por 3 a 1 em Kansas City

O que aprendemos: não simule faltas.

A Suíça parecia ganhar força contra a Argentina quando Breel Embolo caiu perto da linha do meio-campo, pouco antes de uma parada para hidratação.

O árbitro João Pinheiro advertiu Leandro Paredes com cartão, mas depois mudou a decisão para um cartão amarelo a Embolo por simulação, após revisão do VAR. A classificação oficial do lance foi "erro de identificação", sendo esta a primeira vez que o VAR aplicou uma diretriz para intervir em um caso de "potencial" cartão vermelho.

Qualquer que tenha sido a justificativa, o resultado foi a expulsão de Embolo — que já havia sido advertido anteriormente por derrubar Paredes. A simulação de Embolo pareceu atípica: foi seu primeiro cartão vermelho pela seleção principal e o segundo na carreira profissional, sendo o anterior ocorrido em uma partida da Liga Europa na temporada 2015-16, pelo FC Basel.

Também aprendemos que a Argentina não precisa de Lionel Messi para marcar gols.

Mas ajuda quando Messi cobra escanteios: ele fez um cruzamento preciso na cabeça de Alexis Mac Allister, que marcou o gol de abertura aos 10 minutos. A comissão técnica da *Albiceleste* comemorou parabenizando o auxiliar Walter Samuel, que possivelmente percebeu que Mac Allister poderia encontrar espaço em meio a um time suíço cujo jogador mais baixo é 4 cm mais alto que ele.


Fonte: ALJAZEERA

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