Turquia avisa Teerão que vai responder a atos hostis

 O Governo turco advertiu hoje o Irão que responderá a atitudes hostis, depois de as defesas aéreas da NATO no país terem intercetado um míssil balístico iraniano cujos destroços caíram na Turquia.

Turquia "não hesitará em defender o território e espaço aéreo" do país e "responderá a atitudes hostis no quadro do direito internacional", assegurou o chefe de Informação da Presidência, Burhanettin Duran.

O porta-voz disse que a Turquia estava "em contacto com os aliados da NATO", organização a que pertence, segundo uma declaração divulgada nas redes sociais citada pela agência de notícias espanhola EFE.

As defesas da NATO na Turquia intercetaram esta quarta-feira (04.03) um míssil do Irão sobre o Mediterrâneo oriental e os restos da munição antiaérea caíram no extremo sul do país, sem causar vítimas ou danos, informou o Governo turco.

NATO agiu

O Ministério da Defesa disse num comunicado que o míssil foi disparado pelo Irão e dirigia-se "ao espaço aéreo turco após atravessar o Iraque e a Síria".

O míssil "foi neutralizado pelas defesas antiaéreas e antimísseis da NATO estacionadas no Mediterrâneo oriental", precisou o ministério.

O fragmento do projétil das defesas aéreas caiu no município de Dortyol, na província mediterrânica de Hatay, acrescentou.

Apelos de Ancara para evitar expansão do conflito

Trata-se do primeiro incidente em solo turco desde o início dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, no sábado (28.02).

O chefe da diplomacia turca, Hakan Fidan, falou por telefone com o homólogo iraniano, Abas Araqchi, para insistir na necessidade de evitar qualquer ação que possa expandir o conflito, informou a agência turca Anadolu, citando fontes do ministério.

As autoridades não especificaram qual seria o alvo do míssil do Irão, mas a trajetória descrita é coerente com um projétil disparado do Irão ocidental em direção à base militar de Incirlik, perto de Adana, no sul da Turquia.

Esta base aérea é o principal ponto de apoio para outros aliados da NATO na Turquia e alberga também unidades norte-americanas.

Conflitos causam receios relacionados ao petróleo

A Presidência turca desmentiu na segunda-feira (02.03) uma informação que circulou nas redes sociais sobre um suposto ataque iraniano a Incirlik.

Afirmou na altura que a Turquia não era parte do conflito, provocado pelos ataques lançados desde sábado (28.02) pelos Estados Unidos e Israel, que causaram mais de mil mortos no Irão.

Teerão respondeu aos ataques com bombardeamentos contra países da região, visando sobretudo bases ou interesses norte-americanos.

A guerra também tem provocado o receio de uma crise global por estar a envolver os países produtores de petróleo do Golfo e rotas comerciais importantes, como o estreito de Ormuz.

Fonte: DW



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