Trump admite negociações de paz condicionadas com Irão
EUA admitem possíveis negociações com o Irão, enquanto a guerra se intensifica. Berlim alerta para a ausência de um plano claro para pôr fim ao conflito. Crescem dúvidas sobre o futuro da região e o impacto nos mercados.
A tensão no Médio Oriente ganhou uma nova dimensão após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitir a possibilidade de abrir negociações com o Irão, ainda que condicionadas aos termos apresentados por Teerão. As declarações surgem num momento em que o conflito iniciado a 28 de fevereiro por forças norte‑americanas e israelitas continua a alastrar-se por toda a região.
Numa entrevista à Fox News, Trump afirmou ter recebido indicações de que o Governo iraniano estaria "muito interessado em conversar", sublinhando, no entanto, que qualquer negociação dependerá dos termos colocados em cima da mesa por Teerão.
Apesar de não descartar contactos diplomáticos, o Presidente norte‑americano insistiu que Washington "já não precisa necessariamente de falar", reforçando a posição de força após a ofensiva conjunta com Israel. Segundo Trump, a operação militar "superou largamente as expectativas", destruindo cerca de 50% do arsenal de mísseis iraniano.
Trump justificou ainda o ataque preventivo, alegando que, caso os EUA tivessem esperado mais alguns dias, poderiam ter sido alvo de uma ofensiva iraniana. O líder norte‑americano reafirmou igualmente a convicção de que o Irão estava prestes a adquirir capacidade nuclear, baseando-se em informações transmitidas pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo conselheiro Jared Kushner. De acordo com estas fontes, Teerão disporia de urânio enriquecido suficiente para produzir até 11 bombas nucleares — algo que o Irão nega e que a Agência Internacional de Energia Atómica também não confirma.
Conflito espalha-se pela região
A ofensiva dos Estados Unidos e Israel desencadeou uma resposta iraniana que atingiu múltiplos países. Teerão lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte‑americanas e infraestruturas em Estados como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Registaram‑se ainda impactos de projéteis iranianos em Chipre e na Turquia, revelando a abrangência e o risco de escalada do conflito.
Entretanto, Trump criticou a eleição de Mujtaba Khamenei como novo líder supremo do Irão, que assumiu o cargo após a morte do pai, Ali Khamenei, durante bombardeamentos conduzidos por forças norte‑americanas e israelitas.
"Cada dia de guerra levanta mais questões"
Em Berlim, o chanceler alemão Friedrich Merz declarou não ver "nenhum plano comum" entre Washington e Israel para alcançar rapidamente um fim convincente para a guerra. Embora muitos dos objetivos partilhados pelos EUA e Israel coincidam com os da Alemanha, Merz enfatizou que "cada dia de guerra levanta mais questões".
O líder alemão manifestou preocupação com a possibilidade de o conflito seguir o mesmo rumo que o da Líbia ou do Iraque, colocando em risco a integridade territorial e a viabilidade económica do Irão. Merz afirmou partilhar o desejo de Trump de que a guerra termine brevemente, destacando também a importância de um retorno rápido à estabilidade dos mercados petrolíferos e energéticos.
Sinais contraditórios e impacto nos mercados
As declarações recentes de Trump têm contribuído para a instabilidade geopolítica e económica. Na segunda‑feira, frases contraditórias sobre a duração da guerra levaram a uma queda imediata nos preços do petróleo: por um lado garantiu que o conflito "vai acabar em breve"; por outro, afirmou que a ofensiva iria continuar.
Durante a conferência de imprensa com o primeiro‑ministro checo Andrej Babis, Merz apelou ainda a Israel para renunciar às políticas de anexação na Cisjordânia, incluindo a expansão de colonatos em território palestiniano. Segundo o chanceler alemão, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, viajará em breve para Israel com o objetivo de reforçar esta mensagem.
Israel tem reforçado o controlo sobre a Cisjordânia desde 1967, e as medidas recentes abrangem áreas administradas pela Autoridade Nacional Palestiniana ao abrigo dos Acordos de Oslo.
Fonte: DW
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