“Quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”: Trump admite que EUA beneficiam com a guerra
Apesar de a guerra ter consumido 9,8 mil milhões de euros dos cofres norte-americanos nos primeiros seis dias de guerra, Donald Trump garante que os EUA vão ganhar muito dinheiro com a subida dos preços do petróleo.
O Presidente norte-americano admitiu, nesta quinta-feira, que os Estados Unidos da América (EUA) beneficiam da subida dos preços do petróleo, que voltaram, na quarta-feira, a ultrapassar os 100 dólares por barril, em plena campanha de ataques generalizados do Irão contra instalações energéticas do Médio Oriente.
“Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, por isso, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”, declarou Donald Trump, numa publicação na plataforma Truth Social, na qual também escreveu: “Mas, de muito maior interesse e importância para mim, enquanto Presidente, é impedir que um império maligno, o Irão, tenha armas nucleares e destrua o Médio Oriente e, na verdade, o mundo. Nunca permitirei que isso aconteça!”.
Os primeiros seis dias de guerra no Irão custaram aos contribuintes norte-americanos pelo menos 11,3 mil milhões de dólares (9,8 mil milhões de euros) só em munições, segundo as estimativas do Pentágono. Este valor não inclui ainda o custo de operação e manutenção das forças militares envolvidas na guerra, nem os danos sofridos em combate devido aos ataques iranianos.
As Forças Armadas norte-americanas utilizaram cerca de 5,6 mil milhões de dólares (cerca de 4,9 mil milhões de euros) em munições nos dois primeiros dias do conflito, de acordo com o jornal “The Washington Post”.
Na quarta-feira, Trump tinha dito aos jornalistas que o estreito de Ormuz — o canal entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo — estava em boas condições, apesar de estar fechado desde o início do conflito. “O estreito está em ótimas condições”, disse Trump. “Destruímos todos os barcos deles [Irão]. Têm alguns mísseis, mas não muitos. Acho que estamos muito bem… estamos numa ótima situação.”
Os estudos de opinião indicam uma preocupação crescente com os preços entre os norte-americanos. A sondagem da Reuters divulgada na segunda-feira mostrava que 67% dos inquiridos previam um aumento dos preços da gasolina no próximo ano. Apenas 11% disseram que haveria uma melhoria e 12% disseram que se manteriam estáveis.
Sofrimento de "curto prazo"
O secretário da Energia, Chris Wright, reconheceu numa entrevista à CNN, na quinta-feira, que os norte-americanos provavelmente sentiriam um “impacto a curto prazo” devido aos custos de energia. “Estamos a neutralizar a capacidade do Irão de ameaçar as tropas norte-americanas na região, os seus aliados, os seus vizinhos e os mercados globais de energia. Portanto, sim, é preciso passar por um sofrimento de curto prazo para resolver um problema de longo prazo.”
Donald Trump continua a afirmar que falta “terminar o trabalho”, pelo que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão vai continuar. O regime iraniano intensificou, entretanto, os ataques de retaliação contra alvos económicos em toda a região. Vários navios mercantes foram atingidos no estreito de Ormuz e arredores.
O Iraque suspendeu todas as operações nos seus portos petrolíferos após um ataque a dois petroleiros nas proximidades. O Bahrein aconselhou os moradores a permanecerem em casa após um ataque iraniano a tanques de combustível na província de Muharraq. Omã retirou todos os navios do seu principal terminal de exportação de petróleo em Mina Al Fahal (um dos poucos portos restantes de onde o petróleo bruto pode ser exportado do Médio Oriente para o mundo), após ataques com drones noutro dos seus portos.
Para tentar acalmar as preocupações relativas ao fornecimento de petróleo, a Agência Internacional de Energia (AIE) ordenou na quarta-feira a maior libertação de reservas governamentais da sua história. Os seus 32 membros concordaram unanimemente com a decisão de disponibilizar 400 milhões de barris de crude.
A AIE avisou, na quinta-feira, que a guerra no Irão deverá reduzir a produção de petróleo e gás da região em pelo menos 10 milhões de barris de petróleo por dia. Além disso, a forte queda da produção do Médio Oriente pode levar a uma redução da produção global de petróleo, mesmo com o aumento por parte de países como a Rússia.
Moscovo tem sido apontada como uma das principais beneficiárias da guerra entre os EUA, Israel e Irão, uma vez que a subida dos preços do petróleo e o alívio temporário das sanções (por parte dos EUA) impulsionam o valor e o volume das suas exportações de crude.
Na segunda-feira, o preço do petróleo ultrapassou os 100 dólares pela primeira vez em quatro anos. Subiu até 29%, atingindo um pico de 119 dólares. Voltou a recuar acentuadamente, depois de Trump ter definido a guerra como “muito completa”. O preço do petróleo rondava os 60 dólares por barril no início do ano.
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