Preço do petróleo despenca após Trump adiar ameaça de ataque ao Irã
Os preços do petróleo caíram e as bolsas subiram nesta segunda-feira (23/3), com notícias de que o presidente dos EUA, Donald Trump, adiou sua ameaça de atacar o Irã por causa do Estreito de Ormuz.
O petróleo Brent caiu 13%, para cerca de US$ 96 o barril. Já o índice FTSE 100, da bolsa de Londres, subiu 0,5% (antes do anúncio estava em queda de 2%).
Na noite de sábado, o presidente americano havia dito que, se o canal de navegação não fosse aberto "sem ameaças" em 48 horas, os EUA "aniquilariam" as usinas iranianas. O prazo iria expirar nesta segunda-feira (23/3) às 20h44 no horário de Brasília. O Irã havia afirmado que responderia a quaisquer ataques desse tipo visando infraestruturas essenciais na região.
Mas na segunda-feira, Trump anunciou que os EUA e o Irã tiveram "conversas muito boas e produtivas" nos últimos dois dias sobre a "resolução completa e total das nossas hostilidades" no Oriente Médio.
No lado iraniano, não houve confirmação sobre conversas entre Washington e Teerã. A agência de notícias iraniana Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), citou uma fonte iraniana não identificada dizendo que "não há contato direto ou indireto com Trump".
A fonte afirma que, após "ouvir que nossos alvos incluiriam todas as usinas de energia do Oriente Médio, ele [Trump] recuou".
Ameaças
Em um comunicado divulgado pela mídia iraniana no domingo (22/3), a Guarda Revolucionária Islâmica — uma das principais forças militares e políticas do Irã — havia dito que fecharia "completamente" o Estreito de Ormuz caso os EUA atacassem a infraestrutura energética iraniana.
A Guarda Revolucionária Islâmica disse ainda que, se os EUA cumprirem as ameaças de atacar o setor energético iraniano, fecharão o estreito e não o reabrirão "até que nossas usinas de energia destruídas sejam reconstruídas"
Além disso, a entidade disse que atacaria usinas de energia, infraestrutura energética e de tecnologia de informação em Israel "amplamente". Também afirmou que atacaria "quaisquer empresas semelhantes na região" que tenham acionistas americanos.
"As usinas de energia dos países da região que abrigam bases americanas serão nossos alvos legítimos", acrescentou o órgão.
"Não começamos a guerra e não a começaremos agora, mas se o inimigo prejudicar nossas usinas de energia, faremos tudo para defender o país e os interesses do nosso povo", afirmou.
Trump vem pressionando seus aliados a ajudar nos esforços para abrir o Estreito de Ormuz. Na semana passada, ele chamou os países da aliança militar de "covardes".
Na noite de domingo, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, conversou por telefone com Trump. A ligação durou 20 minutos e foi "construtiva", segundo Downing Street.
Um porta-voz do governo britânico disse que os dois discutiram a situação no Oriente Médio e, "em particular, a necessidade de reabrir o Estreito de Ormuz para retomar o transporte marítimo global".
"Eles concordaram que a reabertura do Estreito de Ormuz era essencial para garantir a estabilidade no mercado global de energia", disse o porta-voz. Ambos "concordaram em conversar novamente em breve".
Starmer fará uma reunião com seu gabinete nesta segunda-feira para discutir a situação com seus ministros.
No domingo, Trump compartilhou novamente um esquete satírico da recém-estreada versão britânica do programa de humor britânico Saturday Night Live (SNL) na sua rede Truth Social, no qual atores interpretando Starmer e o vice-primeiro-ministro David Lammy conversam sobre uma iminente ligação telefônica com o presidente americano.
"Ai, meu Deus, e se o Donald gritar comigo? O que eu digo, Lammy?", diz o ator que interpreta Starmer, antes de acrescentar: "Estou perdido aqui, Lammy. Como a Liz Truss [ex-premiê britânica] fazia esse trabalho parecer tão fácil?"
Trump ainda publicou uma breve mensagem em sua plataforma Truth Social durante a madrugada, escrita em letras maiúsculas: "PAZ ATRAVÉS DA FORÇA, PARA DIZER O MÍNIMO!!!"
O Departamento de Estado dos EUA emitiu um novo alerta para cidadãos americanos em todo o mundo devido às tensões no Oriente Médio.
Em comunicado divulgado no X, o departamento pede aos americanos "em todo o mundo, e especialmente no Oriente Médio, que exerçam cautela".
"Fechamentos periódicos do espaço aéreo podem causar transtornos em viagens. Instalações diplomáticas americanas, inclusive fora do Oriente Médio, têm sido alvos de ataques", afirma o comunicado. "Grupos que apoiam o Irã podem atacar outros interesses americanos no exterior ou locais associados aos EUA e/ou a cidadãos americanos em todo o mundo."
As ameaças de Trump
No sábado (21/3), Trump, havia dito que os EUA "aniquilarão" as instalações do Irã se o Estreito de Ormuz não for aberto para navegação internacional dentro de um prazo de 48 horas
Trump publicou em sua plataforma Truth Social às 19h44 de Washington (20h44 no horário de Brasília) de sábado (21/3) — o que significa que o Irã teria até 19h44 (20h44 em Brasília) de segunda-feira (23/3) para cumprir com o prazo estabelecido pelo presidente americano.
Trump publicou: "Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR!"
O Estreito de Ormuz é vital para o transporte global de petróleo. O bloqueio e os ataques do Irã contra navios no Estreito — que começaram depois dos ataques dos EUA e Israel ao país — fizeram com que os preços do petróleo disparassem nas últimas semanas. Em tempos de paz, cerca de 20% das remessas mundiais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) passam pelo Estreito.
Após o alerta de Trump, a mídia estatal do Irã noticiou que as forças armadas do país atacariam a infraestrutura energética ligada aos EUA em toda a região do Golfo, caso as instalações de combustível e energia do próprio Irã fossem atingidas.
Já o representante do Irã na Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto a toda a navegação, exceto para embarcações ligadas a "inimigos do Irã", segundo notícia da agência semioficial iraniana Mehr.
Ali Mousavi, representante de Teerã na OMI, disse que a passagem pelo Estreito é possível mediante a coordenação de medidas de segurança com o Irã.
"A diplomacia continua sendo a prioridade do Irã. No entanto, a cessação completa da agressão, bem como a confiança mútua, são ainda mais importantes", disse Mousavi. Ele disse que os ataques israelenses e americanos contra o Irã estão na "raiz da situação atual" no Estreito de Ormuz.
O deputado iraniano Alaeddin Boroujrrdi afirmou no domingo (22/3) na televisão estatal que alguns navios que atravessam o Estreito de Ormuz estão sendo taxados em "US$ 2 milhões" pelo Irã.
Ele disse que um "novo sistema" está sendo imposto no Estreito e que "a guerra tem um preço", acrescentando que isso demonstra a "autoridade e o direito que a República Islâmica do Irã possui" no local.
A BBC não conseguiu verificar de forma independente a alegação do deputado iraniano sobre a taxa.
No domingo, foi noticiada mais uma explosão nas proximidades de um navio cargueiro, a 27 quilômetros ao norte de Sharjah, nos Emirados Árabes, de acordo com a United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), a autoridade britânica de navegação.
O comandante do navio relatou uma explosão "causada por um projétil desconhecido" perto da embarcação. Todos os tripulantes estão em segurança, disse a UKMTO.
Fonte: BBC Brasil
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