PODEMOS suspende Hélder Mendonça e avança com processo-crime
Crise interna no PODEMOS agravou‑se com a suspensão de Hélder Mendonça e o anúncio de um processo‑crime contra o militante. O caso expõe fissuras na segunda maior força política saída das últimas eleições em Moçambique.
Em comunicado, o partido Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS) justificou a suspensão com alegações de difamação e calúnia, na sequência de declarações feitas por Hélder Mendonça nos últimos dias.
O político tem questionado publicamente a gestão interna da formação política, apontando suposta falta de transparência na administração dos fundos públicos atribuídos ao partido enquanto segundo mais votado nas eleições legislativas.
A direção do PODEMOS rejeita as acusações e sustenta que o caso deveria ter sido tratado internamente.
Exposição pública prejudica partido
O porta-voz do partido, Duclésio Chico, defende que a exposição pública do assunto prejudicou a imagem da organização e da sua liderança. "Este assunto sobre valores monetários é um assunto interno e acreditamos que deveria ser resolvido internamente. O que aconteceu foi a exposição de um documento que denigre a imagem não só do presidente, mas também do partido, de forma irresponsável", afirmou.
O analista político Wilker Dias acredita, no entanto, que terá havido falhas no processo e Hélder Mendonça ainda pode contestar a suspensão. "Não foram respeitados os princípios de instauração de processos disciplinares e o direito de resposta. Se não houve espaço para o diálogo interno, a via judicial poderá ser o caminho para reivindicar a nulidade da decisão", explicou.
No ano passado, o político Alberto Ferreira, antigo secretário-geral do PODEMOS, recorreu à justiça no âmbito de um processo legislativo interno igualmente marcado por denúncias de pressões políticas e alegada falta de transparência.
Sucessão de conflitos internos
Para o analista político Canuma Silvestre, os dois casos revelam um padrão no partido. "Os casos de Hélder Mendonça e Alberto Ferreira não podem ser vistos de forma isolada. São figuras com influência interna significativa e capacidade de projetar o partido para outros níveis. O PODEMOS está a dar um tiro no próprio pé e pode comprometer a sua própria estabilidade”, concluiu.
Além da suspensão de Hélder Mendonça, o partido anunciou também a retirada de confiança política a Fernando Jone, que exercia as funções de segundo vice-presidente da Assembleia da República, em representação do PODEMOS.
A sucessão de conflitos internos surge num momento sensível para o partido, que procura afirmar-se como alternativa política consistente no cenário nacional.
Fonte: DW
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