O sítio que Trump ameaça "explodir completamente" tem gás para todo o mundo durante 13 anos
Ameaça surge numa altura em que os preços do gás e do petróleo continuam a disparar dia após dia. Sítio em causa envolve uma zona que é "fonte de energia vital para os EUA, para a Europa e para o mundo". Os ataques a outras instalações energéticas prosseguem.
O que é o campo de gás de South Pars e por que razão o ataque de Israel é uma escalada?
Um ataque israelita a instalações iranianas no campo de gás de South Pars marcou uma escalada significativa na guerra, levando um Irão furioso a atacar as principais instalações energéticas dos seus vizinhos do Golfo.
Os preços da energia já estavam a disparar porque o encerramento efetivo do Estreito de Ormuz significa que o petróleo e o gás já produzidos não conseguem chegar aos clientes finais a tempo. No entanto, a nova vaga de ataques contra infraestruturas energéticas, incluindo South Pars, coloca uma pressão adicional sobre a oferta global.
Este duplo golpe fez subir ainda mais os preços do petróleo e do gás natural e levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaçar "explodir completamente" com South Pars caso o Irão não parasse.
Mas o que é South Pars?
South Pars faz parte das maiores reservas de gás natural do mundo, situadas no mar (offshore) no Golfo Pérsico. É partilhado entre o Irão e o Qatar, que chama à sua parte "North Dome".
De acordo com a Reuters, todo o campo de gás contém cerca de 1.800 biliões de pés cúbicos de gás utilizável — o suficiente para suprir as necessidades mundiais durante 13 anos.
O gás natural de South Pars é a maior fonte de abastecimento de energia doméstica do Irão. O país já sofreu anteriormente escassez de energia devido a interrupções no fornecimento de gás, pelo que qualquer perda de capacidade de produção afetaria a sua capacidade de produzir eletricidade e aquecer habitações.
Qual é mesmo o impacto a nível global?
O Qatar investiu milhares de milhões no desenvolvimento do seu lado do campo de gás e é o segundo maior fornecedor mundial de gás natural liquefeito (GNL), a seguir aos Estados Unidos. Quando os ataques israelitas atingiram partes de South Pars em junho de 2025, fontes disseram à CNN que o lado do Qatar era uma "fonte de energia vital para os EUA, para a Europa e para o mundo".
Em retaliação ao ataque a South Pars, o Irão atingiu a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Qatar, causando "danos extensos", segundo a estatal QatarEnergy.
Ras Laffan é um centro energético fundamental, processando todo o gás proveniente do North Dome. Tem estado maioritariamente encerrado desde o início de março, mas danos significativos na instalação podem atrasar o reinício da produção.
Uma vez que cerca de um quinto do fornecimento global de GNL provém do Qatar — quase todo de Ras Laffan —, qualquer atraso poderá ter um efeito enorme no preço e no abastecimento de GNL.
Analistas da Wood Mackenzie, uma consultora líder em energia, afirmaram esta quinta-feira que "os ataques reformulam fundamentalmente as perspetivas globais do GNL", sendo provável que a perturbação no fornecimento global de gás natural dure agora mais de dois meses.
Qual é a reação na região?
Os países árabes condenaram os ataques a infraestruturas ligadas a South Pars. Os Emirados Árabes Unidos classificaram-nos como "uma escalada grave" que constitui uma ameaça direta não só aos fornecimentos globais de energia mas também à segurança regional. O Qatar chamou aos ataques a South Pars um "passo perigoso e irresponsável".
O Irão retaliou de forma rápida e contundente. Além de Ras Laffan no Qatar, duas refinarias na capital da Arábia Saudita, Riade, também foram atacadas. A Arábia Saudita afirmou então que "reserva-se o direito de tomar medidas militares" contra o Irão, se considerar necessário.
Mais tarde, o Ministério da defesa da Arábia Saudita disse ter intercetado um míssil iraniano que visava o porto de Yanbu, que se tornou um porto alternativo para as exportações de petróleo saudita, dado o bloqueio do Estreito de Ormuz.
O que disse Trump?
Trump ameaçou "explodir completamente" com South Pars se o Irão continuar os ataques às instalações energéticas do Qatar. Trump afirmou que os EUA "não sabiam de nada" sobre o ataque israelita a South Pars. No entanto, um responsável israelita disse à CNN na quarta-feira que o ataque foi realizado em coordenação com os EUA.
Os ataques podem significar problemas para Trump, que já está a lutar para conter o efeito que a sua guerra contra o Irão está a ter nas carteiras dos americanos comuns.
Mohit Kumar, economista do banco de investimento Jefferies, afirmou na quinta-feira que os EUA têm tentado evitar atingir infraestruturas energéticas num esforço para "manter os preços do petróleo sob controlo".
"Mas o ataque de Israel ao campo de gás do Irão mostrou que, à medida que a guerra se prolonga, quaisquer linhas vermelhas tendem a tornar-se difusas", acrescentou na sua nota matinal.
Fonte: CNN
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