Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irão, escondia fortuna multimilionária na Europa
O clérigo e segundo dos seis filhos de Ali Khamenei construiu um império do qual fazem parte 13 propriedades de luxo em Londres, hotéis, campos de golfe, e várias contas bancárias na Suíça ou nos Emirados Árabes Unidos, obtido graças à venda de petróleo iraniano.
Aquele que foi apontado pela assembleia de peritos do Irão para liderar o país, Mojtaba Khamenei, é dono de uma fortuna multimilionária. Obtida graças à venda de petróleo iraniano e do transporte marítimo no Golfo Pérsico, terá também origem em investimentos em hotéis de luxo em solo europeu, várias contas bancárias, nomeadamente em bancos suíços, e duas mãos cheias de propriedades nas zonas mais caras de Londres.
Aos 56 anos, o segundo dos seis filhos de Ali Khamenei, que morreu a 28 de fevereiro nos ataques que Israel e os EUA lançaram contra o Irão, e que nesse dia perdeu também a mãe e a mulher, “supervisiona uma nutrida carteira de investimentos” que, segundo uma investigação da Bloomberg, publicada esta quarta-feira pelo “El País”, remontam “pelo menos” até 2011. De acordo com as informações conhecidas esta quarta-feira, terá sido ferido durante os ataques, mas estará a salvo.
Para se compreender o alcance desta riqueza, que contraria a imagem austera construída pela família Khamenei, bastaria mencionar as 13 propriedades – uma no exclusivo bairro de Kensington do qual se consegue divisar a Embaixada de Israel - que Mojtaba possui na capital britânica, perfazendo um valor total de 236 milhões de euros.
Há também um campo de golfe em Maiorca, onde também detém um hotel, assim como nos Alpes austríacos e em Frankfurt, cujas aquisições se terão realizado através de contas bancárias no Reino Unido, Lichtenstein, Suíça e Emirados Árabes Unidos, a partir de fundos, explica a Bloomberg, derivados da venda de petróleo iraniano sob embargo.
Banqueiro sancionado é intermediário
Revelador é que estes dados, fornecidos por uma agência de inteligência ocidental, se apoiam em documentos nos quais o nome de Mojtaba Khamenei se encontra omisso, aparecendo no seu lugar o de Ali Ansari, empresário e banqueiro iraniano que terá participado nas operações como intermediário. Em outubro de 2025, Ansari foi alvo de duras sanções do governo britânico, por suspeitas de financiar “atividades hostis” da Guarda Revolucionária do Irão e de servir de testa-de-ferro ao filho de Ali Khamenei.
Clérigo e professor de teologia que serviu brevemente no exército aquando da guerra Irão-Iraque, Mojtaba guarda um perfil discreto, mas segundo a AP, documentos diplimáticos dos EUA aventados pelo Wikileaks no final dos anos 2000 falavam nele como “o poder por trás das vestes” do regime iraniano. Em 2005, foi acusado pelo candidato reformista Mehdi Karroubi de interferir nas eleições a favor do presidente eleito e da linha dura, Mahmoud Ahmadinejad.
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