Moçambique: Crise interna atinge MDM, RENAMO e PODEMOS
MDM, RENAMO e PODEMOS enfrentam fortes contestações internas. Militantes e figuras influentes acusam as lideranças de má gestão e falta de transparência. Analista diz que há dirigentes que usam partidos para enriquecer.
Nos últimos meses, as lideranças dos partidos MDM, RENAMO e PODEMOS têm sido fortemente contestadas por membros e por figuras influentes dentro das próprias formações políticas.
O analista Alexandre Chiure não tem dúvidas de que os líderes destes partidos estão agarrados ao poder para ganhar dinheiro. "Não há dúvidas quanto a isso. Isso também vale para os partidos com assento no parlamento que recebem dinheiro do erário público, resultante do número de assentos que têm. Portanto, não há transparência em todos eles", diz.
Na cronologia das contestações, o primeiro caso remonta a janeiro de 2025, quando um dos membros fundadores do MDM, Elias Impuire, veio a público pedir a demissão de Lutero Simango por alegada má gestão: "Nos últimos dois anos o partido parece que está abandonado e está a ser governado por uma única pessoa."
Há cerca de um mês foi a vez da RENAMO. O antigo deputado do partido na Assembleia da República, António Muchanga, apareceu publicamente a criticar duramente o seu líder, Ossufo Momade.
"Quando o momento chegar eu participarei no despir de Ossufo Momade. Quando chegar essa vez, Ossufo não terá como. Terá que escolher entre cobra mamba, espinhosa e parede. Terá que furar a parede com a cabeça", avisou na altura.
Mais recentemente foi o PODEMOS. O porta-voz Hélder Mendonça denunciou desvio de fundos do partido em benefício do presidente da formação, Albino Forquilha.
Não há democracia sem rotatividade na liderança
Perante estes casos, Alexandre Chiure entende que dentro dos partidos políticos não há democracia porque não existe rotatividade na liderança. O analista destaca o exemplo do líder da RENAMO, Ossufo Momade, que não prestou contas ao partido.
"Esteve a receber por ano pouco mais de 70 milhões de meticais [1 milhão de euros] como líder da oposição e ninguém sabe o que ele fez com esse dinheiro. Ele não está a prestar contas. Convocou um Conselho Nacional por pressão, só para inglês ver, que durou apenas quatro horas", lembra o analista.
Chiure também não poupa críticas ao partido no poder, a FRELIMO. Para o analista, nesta formação política também não há democracia porque ninguém se candidata por livre iniciativa.
"Infelizmente o que acontece na FRELIMO é que os membros não concorrem porque acham que têm condições para tal. Concorrem quando alguém diz: concorre, agora é tua vez", refere.
No MDM, segundo Chiure, não há reuniões regulares e a imagem do líder do partido, Lutero Simango, está desgastada. "É preciso ceder lugar a outra pessoa para trazer uma nova dinâmica dentro do partido. O partido precisa de ser reestruturado para poder sonhar mais alto", conclui.
Fonte: DW
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