Meloni acusa Estados Unidos e Israel de terem violado direito internacional

 A primeira-ministra italiana fala em multiplicação de ações unilaterais conduzidas fora do âmbito do direito internacional, assinalando, neste contexto, a “intervenção” norte-americana e israelita contra o regime iraniano.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou hoje que os Estados Unidos e Israel violaram o direito internacional ao atacar o Irão, acrescentando que a atual crise no Médio Oriente é a mais complexa das últimas décadas.

Dirigindo-se ao Senado, num debate preparatório do Conselho Europeu da próxima semana em Bruxelas e sobre a situação no Médio Oriente e na primeira vez que comparece perante o Parlamento desde que Estados Unidos e Israel lançaram, a 28 de fevereiro, um ataque contra o Irão, Meloni, considerada uma das líderes europeias mais próximas do Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu hoje que a intervenção militar desrespeitou o direito internacional e garantiu que Itália “não participa nem tenciona participar” na mesma.

Começando por apontar que o mundo enfrenta “uma crise evidente do direito internacional e o fim de uma ordem mundial comum”, cujo início atribui à “anomalia da invasão de uma nação vizinha por um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, precisamente o organismo que deveria ser o primeiro garante do direito internacional”, referindo-se à agressão militar russa à Ucrânia, a primeira-ministra italiana considerou que “a desestabilização global que daí resultou teve também repercussões no Médio Oriente”.

“É neste contexto de crise do sistema internacional, em que as ameaças se tornam cada vez mais assustadoras e se multiplicam as intervenções unilaterais conduzidas fora do âmbito do direito internacional, que devemos também situar a intervenção americana e israelita contra o regime iraniano”, disse então, ainda que ressalvando que lhe parece “claro para todos que não se pode permitir um regime de aiatolas na posse de armas nucleares e mísseis capazes de atingir Itália e a Europa”.

Acusada sistematicamente pela oposição de ser subserviente relativamente à administração norte-americana liderada por Donald Trump e de não ter tomado uma posição firme, Meloni argumentou que “aqui não há um Governo cúmplice das decisões alheias, nem isolado na Europa, nem culpado pelas consequências económicas que a crise pode ter sobre os cidadãos e as empresas”, considerando que as críticas que tem ouvido nestes dias “não fazem justiça ao empenho desenvolvido neste delicado quadrante da geopolítica”.

A intervenção dos Estados Unidos e de Israel no Irão é “uma intervenção na qual Itália não participa e não tenciona participar”, disse, apontando que os Estados Unidos não fizeram qualquer pedido para usar as suas bases militares em Itália para ataques ao Irão e garantindo que, se tal sucedesse, caberia ao Parlamento decidir.

“Permitam-me também esclarecer, mais uma vez, a questão das bases militares. Parece-me que todos os parceiros europeus estão a cumprir o que está previsto nos seus acordos nesta matéria. Até mesmo o Governo espanhol, de que tanto se fala, afirmou, por meio do seu porta-voz, que há um acordo bilateral entre Espanha e os Estados Unidos e, fora desse acordo, não haverá qualquer utilização das bases espanholas”, disse.

Meloni argumentou então que o seu Governo está a fazer exatamente o mesmo que o Executivo espanhol liderado por Pedro Sánchez, considerando “surpreendente que essa escolha seja condenada em Itália e exaltada em Espanha pelas mesmas pessoas”, e comentou com ironia que “um pouco de lógica, desse ponto de vista, não faria mal”.

A primeira-ministra italiana evocou ainda “o massacre das meninas no sul do Irão” e pediu “que sejam apuradas responsabilidades”, enfatizando que “a segurança dos civis e das crianças deve ser preservada”. Esta foi a sua única intervenção no Senado que mereceu aplausos das bancadas da oposição.

Uma escola primária para meninas em Minab, na província de Hormozgan, no sul do Irão, foi destruída a 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a atacar o país, matando entre 168 e 180 pessoas, a maioria das quais crianças em idade escolar, de acordo com imprensa iraniana.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”.

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.


Fonte: Expresso



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