Irão diz que "vai pôr fim às hostilidades no momento que escolher"

 

Citando um alto responsável iraniano não identificado, a televisão estatal iraniana afirmou esta tarde que o Irão recusou o plano de paz proposto pelos Estados Unidos para acabar com quase um mês de guerra. "O Irão reagiu negativamente à proposta dos Estados Unidos", informou a emissora ao referir que "a guerra terminará quando o Irão decidir acabar com ela, e não quando Trump decidir fazê-lo".

Depois de inúmeros desmentidos, o Irão reconheceu esta tarde implicitamente a existência de contactos com Washington, ao anunciar a recusa do plano de paz apresentado pela administração Trump.

De acordo com um alto responsável iraniano não identificado citado pelos órgãos do seu país, as expectativas de Washington são "excessivas", o Irão "não se deixará ditar um cronograma de saída crise" e "irá pôr fim às hostilidades no momento que escolher, quando suas próprias condições forem atendidas".

Enquanto Washington propõe, segundo a televisão israelita, um cessar-fogo de um mês, o desmantelamento do programa nuclear iraniano o fim do apoio de Teerão a grupos armados na região e a reabertura do estreito de Ormuz, o Irão reclama, por sua vez, o reconhecimento da sua soberania sobre o estreito que é um dos mais importantes pontos de passagem das exportações de petróleo a nível mundial.

Quem também recusa qualquer discussão é o Hezbollah que esta tarde disse que uma qualquer negociação "debaixo do fogo" seria "uma rendição" face a Israel, que continua a atacar os bastiões do grupo pró-iraniano no Líbano.

Uma situação perante a qual, o secretário-geral da ONU considerou hoje que "a guerra no Médio Oriente está fora do controlo", António Guterres expressando receios perante um conflito ainda mais "amplo" que pode provocar uma "maré de sofrimento humano".

Em conferência de imprensa esta tarde, o dirigente da ONU disse ainda que o "modelo de Gaza" devastado pela guerra entre Israel e o Hamas "não deve ser reproduzido no Líbano", sendo que "o Hezbollah deve parar de lançar ataques contra Israel. E Israel deve cessar as suas operações militares e os seus ataques contra o Líbano, onde os civis são mais afectados".

Paralelamente, também nesta quarta-feira, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU condenou numa resolução os "ataques hediondos" do Irão contra países do Golfo e exigiu "indemnizações integrais" para todas as vítimas desses ataques. O Conselho e os seus 47 países membros adoptaram por unanimidade esta resolução, apresentada pelos seis países do Conselho de Cooperação do Golfo e pela Jordânia, que pede ao Irão a "cessação imediata e incondicional de todos os ataques não provocados".

Segundo um novo balanço oficial estabelecido nesta quarta-feira, os ataques israelitas e americanos provocaram mais de 1.400 mortos civis no Irão, sendo que por outro lado, no Líbano, a ofensiva israelita matou pelo menos 1.094 mortos. Nos restantes países da região, foram registados 88 mortos no Iraque, oito nos Emirados Árabes Unidos, seis no Koweit, quatro na Síria, quatro na Cisjordânia, dois no Bahrein, dois em Omã, e dois na Arábia Saudita, no âmbito do contra-ataque iraniano.

Do lado de Israel, morreram 16 civis e dois militares, do lado americano, caíram 13 militares, e morreu um soldado francês durante um ataque de drone contra uma base militar no Curdistão iraquiano.

Fonte: rfi

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