Imagens de satélite e tecnologia avançada de drones: Rússia intensifica cooperação militar com Irão

 O apoio visa prolongar um conflito que beneficia Moscovo tanto militar como economicamente, escreve o “Wall Street Journal”. Esta cooperação estratégica terá facilitado ataques recentes do Irão contra sistemas de radar dos Estados Unidos.

A Rússia tem alargado a sua cooperação militar e a partilha de informações com o Irão, fornecendo imagens de satélite e tecnologia avançada de drones para auxiliar Teerão a atingir forças dos Estados Unidos na região. Segundo o diário “The Wall Street Journal” (WSJ), este reforço da ‘intelligence’ russa visa manter o seu aliado mais próximo no Médio Oriente ativo no combate contra o poderio militar norte-americano e israelita, prolongando um conflito que beneficia Moscovo económica e militarmente.

A assistência tecnológica inclui componentes para drones Shahed modificados, concebidos para melhorar a comunicação, navegação e precisão no ataque a alvos. Moscovo tem também partilhado a sua experiência tática adquirida na guerra na Ucrânia, oferecendo orientação sobre a quantidade de drones a utilizar em operações e as altitudes ideais para os ataques.

De acordo com fontes citadas pelo WSJ, esta cooperação terá facilitado ataques recentes do Irão contra sistemas de radar dos Estados Unidos, incluindo um radar de aviso prévio para um sistema de defesa antimíssil Thaad na Jordânia.

Jim Lamson, investigador no King’s College de Londres e antigo analista da CIA, destaca o valor estratégico deste apoio: “Se houver detalhes nessas imagens que os russos estão a fornecer com valor de ‘intelligence’ para os iranianos, isso ajudá-los-á imenso.” Lamson reforça ao jornal norte-americano que, embora a ajuda russa possa ser “limitada” devido ao conflito em curso na Ucrânia, “a assistência prestada é valiosa para a capacidade do Irão de atingir locais militares específicos”.

Analistas militares referem que os ataques iranianos, que usam drones para sobrecarregar radares antes do disparo de mísseis, são agora muito semelhantes às táticas russas. Nicole Grajewski, professora na Sciences Po, afirma ao WSJ que “os pacotes de ataque do Irão passaram a assemelhar-se muito ao que a Rússia faz”, com um foco crescente em sistemas de comando e controlo.

Apesar de a Rússia negar o fornecimento de ‘intelligence’ para auxiliar ataques, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse acreditar que Moscovo poderá estar a ajudar “um pouco” o Irão. Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca, desvalorizou esta possibilidade, afirmando: “Nada fornecido ao Irão por qualquer outro país está a afetar o nosso sucesso operacional.” Wales acrescentou que as operações dos Estados Unidos reduziram os ataques de mísseis iranianos em 90% e os de drones em 95%.

Do ponto de vista estratégico, o conflito no Médio Oriente serve os interesses russos ao desviar o fornecimento de intercetores norte-americanos que seriam necessários para a defesa aérea da Ucrânia. Além disso, o aumento dos preços do petróleo resultante da instabilidade na região favorece a economia russa.

Para Samuel Charap, do think tank Rand, esta cooperação com Teerão é uma “oportunidade” para Moscovo “dar a provar” a Washington o seu “próprio remédio” devido ao apoio de ‘intelligence’ que os Estados Unidos prestam à Ucrânia.


Fonte: Expresso




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