Estrelas do imobiliário de luxo nos EUA condenadas por tráfico sexual e violação. Irmãos terão abusado de dezenas de mulheres
Oren, Alon e Tal Alexander são acusados de drogarem e violarem dezenas de mulheres. Sentença será conhecida em agosto.
Três irmãos, incluindo dois dos mais bem-sucedidos mediadores de imobiliário de luxo dos Estados Unidos, foram condenados por tráfico sexual na segunda-feira. Segundo a Associated Press, os três são suspeitos de drogarem e violarem dezenas de mulheres que atraíram com o estilo de vida opulento. O julgamento durou cinco semanas e a sentença está marcada para 6 de agosto.
No tribunal federal de Manhattan, onde decorreu o julgamento, foram ouvidas onze mulheres que testemunharam que foram sexualmente agredidas por um ou mais dos irmãos: os gémeos Oren e Alon Alexander, de 38 anos, e Tal Alexander, de 39.
Em comunicado, o procurador federal Jay Clayton elogiou a condenação e considerou que esta representa uma validação para vítimas de crimes que muitas vezes não são denunciados nem punidos.
"A verdade é que o tráfico sexual e outros crimes sexuais federais estão presentes em muitos setores da sociedade e não fizemos o suficiente para erradicá-los", afirmou Clayton.
Segundo a AP, os três irmãos, outrora conhecidos como a “A Team” do imobiliário - Oren e Tal Alexander criaram a sua própria empresa e Alon Alexander geria a empresa de segurança privada da família - foram denunciados por mais de 60 mulheres.
As vítimas testemunharam que conheceram os irmãos em discotecas, festas e aplicações de encontros e foram atacadas depois de aceitarem convites para viagens com todas as despesas pagas aos Hamptons e a Aspen, nos Estados Unidos, e para um cruzeiro nas Caraíbas. Durante o julgamento muitas mulheres disseram acreditar que os irmãos tinham adulterado as suas bebidas.
Para além das acusações principais, Alon e Tal Alexander também foram condenados por tráfico sexual de uma menor, enquanto Alon e Oren Alexander foram condenados por abuso sexual agravado com uso de força ou intoxicante e abuso sexual de uma pessoa fisicamente incapacitada.
Oren Alexander foi também condenado por exploração sexual de uma menor depois de os procuradores terem mostrado ao júri um vídeo que o próprio gravou e que parecia mostrá-lo a agredir sexualmente uma jovem de 17 anos drogada.
Oren, Alon e Tal Alexander estão detidos desde 2024 e abanaram a cabeça enquanto o presidente do júri repetia “culpado” por 19 vezes. Caso sejam condenados a prisão, podem passar o resto da vida na cadeia. No entanto, os advogados dos três irmãos dizem que vão recorrer da sentença.
"Acreditamos na inocência dos nossos clientes e não vamos parar de lutar até prevalecermos, e acreditamos que um dia iremos prevalecer", afirmou o advogado de defesa Marc Agnifilo à saída do tribunal.
Presentes em tribunal estavam também os pais dos três irmãos que se mostraram visivelmente chocados, assim como a mulher de Alon Alexander que foi depois fotografada na rua a chorar.
Além do processo criminal, os irmãos enfrentam cerca de duas dezenas de ações judiciais nos últimos dois anos, incluindo uma apresentada na semana passada em que Tracy Tutor, estrela do programa da Bravo “Million Dollar Listing Los Angeles”, alega que Oren Alexander a drogou e agrediu enquanto ela estava em Nova Iorque para um evento imobiliário.
Testemunhos contradizem versão da defesa
O julgamento dos irmãos ficou marcado pelos testemunhos de mulheres que acusam Tal e Alon Alexander de violação, enquanto a defesa insiste que as relações sexuais foram consensuais.
Uma das testemunhas relatou que conheceu os irmãos em 2012 numa festa no apartamento do ator Zac Efron, em Manhattan. Segundo contou em tribunal, quase não interagiu com o ator, que não é acusado de qualquer irregularidade. Mais tarde, após sair para uma discoteca, disse ter acordado nua com Alon Alexander de pé sobre ela, também nu.
"Eu não quero ter relações sexuais contigo", testemunhou. "Haha, já tiveste", disse ele, segundo o relato da testemunha, enquanto "se ria".
Os advogados de defesa sugeriram que as mulheres tinham memórias falíveis ou esperavam lucrar com as fortunas dos irmãos. Os irmãos eram mulherengos, admitiram os seus advogados, que insistiram que qualquer relação sexual foi consensual.
Os procuradores contestaram a ideia de que as vítimas esperavam lucrar com processos judiciais. Apenas duas têm ações em curso, referiu a procuradora Elizabeth Espinosa aos jurados, e ambas são ricas.
Outra testemunha afirmou ter sido violada por Alon Alexander em 2017, em Aspen, quando tinha 17 anos. Em tribunal, disse ser filha de um bilionário e garantiu não ter interesse financeiro no caso.
"Eu não quero o dinheiro deles. Só não quero que eles o tenham", disse a mulher.
Também a artista Lindsey Acree afirmou ter sido violada por Tal Alexander e outro homem numa casa nos Hamptons, em 2011, após beber uma bebida que a deixou paralisada. Acree disse que decidiu avançar com o processo depois de as vítimas terem sido repetidamente acusadas de "caçadoras de fortunas, extorsionistas, burlonas".
"Se há uma criança com um pau que continua a bater nas pessoas, tira-se-lhe o pau. O dinheiro é o pau deles, por isso tira-se para que não possam magoar mais ninguém", afirmou em tribunal, acrescentando que apresentou o processo apesar de "nunca precisar do dinheiro deles".
Fonte: CNN
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