Estados Unidos propõem negociações entre Ucrânia e Rússia na próxima semana

 Segundo Zelensky, as novas negociações trilaterais deverão abordar "as mesmas questões" discutidas em Genebra, em fevereiro, entre as quais a continuação de trocas de prisioneiros e a organização de uma reunião ao nível dos chefes de Estado.

Os Estados Unidos propuseram uma nova ronda de negociações entre Kiev e Moscovo na próxima semana, indicou hoje o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, referindo que as conversações poderão ter lugar na Suíça ou na Turquia.

"Esperamos que a reunião se realize na próxima semana. É uma proposta americana, mas, para sermos honestos, veremos o que acontece no Médio Oriente até lá. A reunião poderá ser realizada na Suíça ou na Turquia", disse Zelensky durante uma conferência de imprensa 'online'.

Anteriormente, Zelensky deu conta, através da rede social X, de uma conversa por telefone com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e especificou que a Turquia tinha manifestado a sua disponibilidade para receber esta nova reunião trilateral para tentar pôr fim ao conflito na Ucrânia.

Questionado pela estação norte-americana CNBC, o enviado da Casa Branca Steve Witkoff confirmou que o reatamento das conversações trilaterais poderá ocorrer na próxima semana, um dia depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter falado por telefone com o homólogo russo, Vladimir Putin.

O conselheiro do Kremlin Yuri Ushakov relatou que Vladimir Putin forneceu ao homólogo norte-americano "uma descrição da situação atual na linha de contacto, onde as tropas russas estão a avançar com considerável sucesso", um panorama rejeitado por Kiev.

O conselheiro presidencial disse ainda que o líder russo "avaliou positivamente os esforços de mediação empreendidos" por Donald Trump para tentar encontrar uma solução diplomática para a guerra na Ucrânia, lançada por Moscovo em fevereiro de 2022, após várias rondas de negociações que até agora não conseguiram levar a um cessar-fogo.

Em meados de fevereiro, teve lugar em Genebra, Suíça, uma nova ronda de negociações entre ucranianos, russos e norte-americanos, mantendo-se o impasse em torno das divergências sobre o futuro das regiões no leste da Ucrânia ocupadas pela Rússia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.

Volodymyr Zelensky afirmou hoje que as novas negociações trilaterais deverão abordar "as mesmas questões" discutidas na cidade suíça, entre as quais a continuação de trocas de prisioneiros e a organização de uma reunião ao nível dos chefes de Estado.

"Em relação à questão específica dos territórios, não vejo nenhuma solução possível sem que isso aconteça a nível de liderança", observou.

O Presidente ucraniano tinha indicado na segunda-feira que as negociações trilaterais entre Kiev, Moscovo e Washington, previstas para esta semana, foram adiadas devido à guerra no Médio Oriente, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, aliado de Moscovo.

O Presidente norte-americano anunciou na segunda-feira que iria suspender sanções sobre o comércio de petróleo contra "certos países", numa altura em que o preço do barril disparou devido à nova guerra no Médio Oriente.

Zelensky pediu hoje aos Estados Unidos e ao Ocidente que não aliviem as sanções contra Moscovo, aplicadas desde o início da invasão russa.

"Seria, sem dúvida, um golpe sério. Para nós, seria um golpe do ponto de vista das armas [que a Rússia poderia fabricar com as receitas petrolíferas]) e, para o mundo, seria um golpe muito sério na sua imagem. Como é possível suspender as sanções contra a Rússia se ela é a agressora?", questionou, apesar de acreditar que Washington não fará este tipo de concessões a Moscovo.

Depois de receber informações dos serviços de informações, o líder ucraniano escreveu nas suas redes sociais que o Kremlin espera que a guerra no Médio Oriente se prolongue, na esperança de que a pressão internacional sobre a Rússia "diminua ao máximo".

Zelensky disse ainda que a Rússia espera lucrar com a flutuação dos preços do gás e do petróleo, vendendo os seus recursos naturais em condições mais favoráveis.

"Temos informações de que os russos querem discutir o levantamento completo das sanções ao seu setor energético", advertiu.

Na semana passada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse ao canal Fox Business que Washington estava a considerar o levantamento das sanções ao crude russo para melhorar o fornecimento global e controlar os fortes aumentos de preços após o início da guerra.

Anteriormente, Washington anunciou que permitiria à Índia comercializar petróleo russo retido no mar durante 30 dias.


Fonte: Expresso




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