Estados Unidos: Nicolás Maduro regressa a tribunal três meses após captura
Quase três meses após ter sido capturado pelo exército norte-americano, o presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro volta a comparecer perante a justiça dos Estados Unidos esta quinta-feira, em Nova Iorque.
Detido numa prisão de Brooklyn desde o início de Janeiro, Maduro não se pronuncia publicamente desde a sua primeira audiência no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, a 05 de Janeiro, durante a qual foi formalmente acusado de tráfico de droga, juntamente com a mulher Cilia Flores (69 anos), motivo oficial da sua captura.
Combativo, apresentou-se então como "o presidente em exercício da República da Venezuela", alegando ter sido "sequestrado" pelos Estados Unidos e auto-intitulando-se “prisioneiro de guerra”.
Desde a chegada ao solo americano, a 03 de Janeiro, Maduro e a esposa estão detidos no Metropolitan Detention Center de Brooklyn. Sozinho na cela, sem acesso a internet ou a jornais, Maduro lê a Bíblia e "faz exercício físico", afirmou, a partir de Caracas, o filho Nicolás Maduro Guerra, conhecido como "Nicolasito".
A audiência desta quinta-feira visa principalmente resolver questões de procedimento, antes de qualquer início de análise do mérito do caso.
Perseguido nos Estados Unidos por quatro acusações, incluindo narcoterrorismo, o ex-chefe de Estado é acusado de ter protegido e promovido o tráfico de droga, aliando-se a movimentos de guerrilha e cartéis criminosos considerados "terroristas" por Washington. A sua esposa enfrenta três acusações, principalmente por ter servido de intermediária entre narcotraficantes e altos responsáveis do país.
Os advogados de defesa pedem a anulação do acto de acusação, alegam que a administração norte-americana impede o Estado venezuelano de pagar as despesas de defesa do casal, devido às sanções internacionais que pesam sobre o país. Segundo a defesa, proibir um acusado de aceder a um advogado da sua escolha constitui uma violação de um direito garantido pela Sexta Emenda da Constituição americana.
Após ter dirigido a Venezuela com mão de ferro durante 12 anos, Nicolás Maduro sucedeu ao seu mentor Hugo Chávez e foi agora forçado a ceder o lugar à vice-presidente, Delcy Rodríguez.
Esta última tem multiplicado concessões e gestos de apaziguamento em relação aos Estados Unidos, enquanto Donald Trump repete incessantemente que é ele quem dirige de facto o país a partir de Washington.
Fonte: rfi
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