Defesas aéreas dos EUA poderão ser incapazes de intercetar grande parte dos drones iranianos

 Responsáveis da administração Trump transmitiram a congressistas, durante uma reunião à porta fechada no Capitólio, que os drones de ataque iranianos Shahed representam um desafio de vulto e que as defesas aéreas norte-americanas não serão capazes de os intercetar a todos. A informação foi revelada à CNN por uma fonte presente no encontro de terça-feira.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, General Dan Caine, admitiram que estes dispositivos estão a revelar-se um problema maior do que o antecipado. Estes drones são conhecidos por voarem a baixa altitude e a velocidade reduzida — características que os tornam mais eficazes a contornar defesas aéreas do que os mísseis balísticos. Outra fonte familiarizada com a reunião referiu, no entanto, que os responsáveis tentaram minimizar as preocupações, salientando que os parceiros nos Estados do Golfo têm estado a reforçar os seus stocks de munições de interceção.

A audição no Capitólio decorre num momento de escalada no conflito com o Irão, que ameaça desencadear uma crise energética global e desestabilizar o Médio Oriente. O Presidente Donald Trump afirmou na terça-feira que a maioria das instalações militares iranianas foi "aniquilada" e que novos ataques visaram a liderança do país.

Segundo uma fonte próxima do processo, os responsáveis evitaram responder a questões sobre como os EUA pretendem evitar que o Irão se torne um Estado falhado, referindo que a mudança de regime é um objetivo secundário. Na apresentação feita aos legisladores, reiteraram as metas recentemente traçadas por Trump: destruir as capacidades de mísseis e a marinha do Irão, pôr fim às ambições nucleares e impedir o país de armar grupos militantes.

Incerteza sobre a sucessão e duração do conflito

Os representantes da administração não indicaram quem poderá ser o próximo líder supremo. O anterior detentor do cargo, Ayatollah Ali Khamenei, foi morto pelos Estados Unidos e Israel na semana passada, e Trump afirmou que muitos dos potenciais sucessores terão morrido na operação. O complexo processo sucessório está em curso.

À saída da reunião, os congressistas demonstraram expectativas muito distintas quanto à duração do conflito. O senador republicano Tommy Tuberville, do Alabama, afirmou que os intervenientes — incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio — apresentaram um cronograma que prevê a conclusão do envolvimento dos EUA em três a cinco semanas. Contudo, o senador republicano Josh Hawley, do Missouri, considerou que não foi comunicada uma data de término. "Pareceu-me algo sem um fim à vista", comentou.

Hakeem Jeffries, líder da minoria na Câmara dos Representantes, também indicou que o conflito poderá arrastar-se por semanas. "Não há explicação sobre o que motivou realmente a decisão de prosseguir com esta guerra por opção, na ausência de provas de que existisse uma ameaça iminente para os Estados Unidos ou para os interesses americanos na região", criticou o democrata.

O "problema matemático" das munições

As críticas democratas acentuam-se devido ao elevado consumo de munições no conflito. O senador Mark Kelly, que integra a Comissão de Serviços Armados do Senado, alertou para o facto de os stocks não serem ilimitados.

"Os iranianos têm capacidade para fabricar muitos drones Shahed e mísseis balísticos de curto e médio alcance; possuem um arsenal enorme. A certa altura, isto torna-se um problema matemático: como podemos repor as munições de defesa aérea? De onde virão?", questionou Kelly.

Entretanto, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, recusou classificar a ação militar como uma "guerra" perante a ausência de autorização do Congresso, preferindo o termo "operação".

"É uma operação perigosa e importante. Tivemos de agir porque havia uma ameaça iminente, mas não há uma declaração de guerra", justificou Johnson. O Congresso ainda não votou qualquer autorização para o conflito, o que tem gerado críticas ferozes que comparam a situação às guerras do Afeganistão e do Iraque. Espera-se que as medidas que visam obrigar Trump a obter aprovação parlamentar para continuar a campanha militar sejam chumbadas esta semana.

Fonte: CNN



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