China obriga NASA a alterar estratégia: estação na órbita da Lua dá lugar a base lunar


 

A NASA decidiu abandonar o projeto da estação lunar Gateway e quer reaproveitar parte da tecnologia para construir uma base na superfície da Lua até ao início da próxima década. Uma mudança de estratégia por causa da concorrência da China e que levanta dúvidas sobre o papel de parceiros internacionais como a Europa no programa Artemis.

A NASA anunciou na terça-feira que vai cancelar os planos para a estação lunar Lunar Gateway e redirecionar recursos para a construção de uma base na superfície da Lua, num investimento estimado em 20 mil milhões de dólares ao longo dos próximos sete anos.

A decisão representa uma reformulação profunda do programa Artemis, numa altura em que os Estados Unidos tentam regressar à Lua antes de uma missão tripulada chinesa prevista para o final da década.

O anúncio foi feito pelo diretor da NASA Jared Isaacman, nomeado pelo presidente Donald Trump e que assumiu funções em dezembro, num evento onde apresentou uma série de mudanças estratégicas no programa lunar norte-americano.
"Não deve surpreender ninguém que estejamos a fazer uma pausa no projeto Gateway na sua forma atual e a concentrar-nos na infraestrutura que suporta operações contínuas na superfície lunar", disse Isaacman.

No evento "Ignition", que teve lugar em Washington, Isaacman garantiu que "esta abordagem foi revista passo a passo, para aprender, reduzir riscos e ganhar confiança. É semelhante à que permitiu à NASA alcançar o quase impossível na década de 1960”, afirmou, numa referência ao programa Apollo.

O fim da estação Gateway e a participação da ESA

A estação Gateway foi concebida como um posto na órbita da Lua, destinada a servir de plataforma científica e ponto de ligação para missões à superfície. Será também um importante ponto de partida para a exploração do espaço profundo e de uma futura ida a Marte.

O projeto envolvia vários parceiros internacionais, incluindo a Agência Espacial Europeia, o Japão e o Canadá, que se comprometeram a fornecer diferentes componentes tecnológicos e, com a mudança de estratégia, o futuro desta colaboração fica incerto.

Em resposta ao pedido da SIC Notícias sobre a posição da ESA face à decisão da NASA, um porta-voz referiu que a agência está a analisar os novos planos dos norte-americanos.

"A ESA está em estreita consulta com os seus Estados-Membros, parceiros internacionais e a indústria europeia para avaliar as implicações do anúncio. Mais informações serão divulgadas em breve".

O Diretor-Geral da ESA, Josef Aschbacher, esteve presente no evento Ignition.

Base lunar com drones e energia nuclear

Apesar de falar numa “pausa” no formato atual da Gateway, a NASA indicou que pretende reaproveitar parte dos equipamentos e compromissos internacionais para apoiar operações na superfície lunar.

A nova estratégia da NASA passa por reforçar a presença direta na superfície da Lua. Os planos incluem o envio de módulos de aterragem robotizados, a utilização de drones e o desenvolvimento de sistemas de energia nuclear para sustentar operações de longa duração.

O objetivo mantém-se: colocar astronautas na Lua até 2028, embora o calendário enfrente desafios técnicos e atrasos.

O programa Artemis tem como peça central a aterragem de astronautas na Lua, com módulos desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin. Ambas as empresas enfrentam atrasos significativos, a SpaceX, por exemplo, está cerca de dois anos atrás do calendário previsto.

Perante estas dificuldades, a NASA admite agora utilizar o módulo que estiver pronto primeiro, abandonando a ordem inicialmente definida para as missões.

As ambições espaciais da China

Nos últimos anos, a China tem apostado no programa espacial para se tornar numa potência mundial a par dos Estados Unidos e da Rússia.

Os projetos espaciais têm-se multiplicado, desde o envio de uma sonda para Marte, a construção da sua própria estação espacial e quer enviar os seus próprios astronautas até à Lua para onde já lançou com uma sonda com sucesso que pousou no lado oculto da Lua.

Missão a Marte testa propulsão nuclear

Além da Lua, a NASA anunciou planos para lançar, antes do final de 2028, uma missão a Marte destinada a testar propulsão elétrica nuclear no espaço profundo - Reator Espacial 1 Freedom para Marte.

A tecnologia é vista como essencial para futuras missões tripuladas, por permitir viagens mais eficientes e rápidas. A nave deverá também transportar helicópteros para explorar a superfície do planeta.

Programa Artemis para o regresso à Lua

Lançado em 2017, o programa Artemis pretende assegurar uma presença humana sustentável na Lua e preparar futuras missões a Marte, mais de meio século depois do fim do programa Apollo, que terminou em 1972. Estão envolvidas no projeto várias empresas e agências espaciais, incluindo a ESA.

Depois de alguns adiamentos, a primeira missão - Artemis I - foi lançada a 16 de novembro de 2022. Não levou astronautas a bordo, visou testar o novo foguetão gigante da NASA, SLS (Space Launch System), e a cápsula Orion colocada no topo e onde viajarão as tripulações a partir da missão Artemis II.

A Orion, uma vez impulsionada pelo foguetão, irá até à Lua e entrará na sua órbita, para depois regressar à Terra, numa missão que pode durar de 25 a 42 dias. Deverá ser recuperada no Oceano Pacífico e depois reutilizada.

A missão Artemis II, que deverá colocar uma nave espacial tripulada em órbita da Lua, estava prevista para 2024, mas foi adiada de 2025 para abril de 2026.

A Artemis III seria a missão que levaria à Lua o primeiro humano desde a Apollo 17 em 1972, mas foi alterada e tal só deverá acontecer na missão Artemis IV, algures em 2028.

A ESA participa na missão com o módulo de serviço construído na Europa - European Service Module - que fornece energia e propulsão para a nave espacial Orion e também fornecerá água e ar para os astronautas. Participa também no projeto Gateway, um posto na órbita da Lua que vai fornecer um apoio vital no regresso de seres humanos à Lua. Será também um importante ponto de partida para a exploração do espaço profundo e de uma futura ida a Marte.

Os Acordos Artemis

Em outubro de 2020, durante o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, os Estados Unidos, representados pela NASA e pelo Departamento de Estado, uniram-se a outras sete nações (Austrália, Canadá, Japão, Reino Unido, Itália, Luxemburgo e Emirados Árabes Unidos) para estabelecer os Acordos Artemis, "em resposta ao crescente interesse pelas atividades lunares por parte de governos e empresas privadas".

A 13 de janeiro de 2026, Portugal tornou-se o 60.º país a comprometer-se com a exploração responsável da Lua, Marte, cometas e asteroides ao assinar os acordos.

"Os países signatários comprometem-se a "explorar de forma pacífica e transparente, prestar auxílio, garantir o acesso ilimitado a dados científicos dos quais a humanidade possa aprender, assegurar que as atividades não interferem nas de outros, preservar sítios e artefactos de importância histórica e desenvolver as melhores práticas para a condução de atividades de exploração espacial em benefício de todos".

 Fonte: SIC 

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Inicia pavimentação da estrada Zona Verde/Ndlavela

Desmobilizados da Renamo criam comissão de gestão para assumir liderança do partido

Dia Internacional do Acesso Universal à Informação