China assegura apoio ao Irão para defesa da soberania e diz que ataques “violam direito internacional”
A China assegurou a Teerão apoio à defesa da soberania iraniana e classificou os ataques dos EUA e de Israel como uma violação do direito internacional, reforçando a clivagem internacional em torno do conflito no Médio Oriente.
A China assumiu publicamente o apoio à defesa da soberania iraniana e classificou os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel como uma violação do direito internacional, numa tomada de posição que aprofunda a divisão internacional em torno do conflito no Médio Oriente.
Numa conversa telefónica com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, afirmou que Pequim apoia a “defesa da soberania e dos direitos legítimos” de Teerão. Trata-se da manifestação mais explícita de respaldo político chinês desde o início da ofensiva.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, o contacto ocorreu a pedido da parte iraniana. Wang Yi considerou que a operação militar norte-americana e israelita “viola o direito internacional” e “ultrapassa as linhas vermelhas” do Irão, acrescentando que o país “não tem outra opção senão defender-se”.
Ao mesmo tempo, Pequim apelou à cessação imediata das operações militares e advertiu para o risco de escalada regional, instando as partes a evitarem o alastramento do conflito a outros teatros do Médio Oriente.
A posição confirma o aprofundamento do entendimento estratégico entre Pequim e Teerão num contexto de tensão crescente. A China é o principal parceiro comercial do Irão e o maior comprador do seu petróleo, apesar das sanções ocidentais. Em 2021, os dois países firmaram um acordo de cooperação estratégica de 25 anos que prevê investimentos chineses em energia, infraestruturas e transportes.
Embora tenha reiterado o apoio ao direito de defesa iraniano, Wang Yi afirmou esperar que Teerão tenha em consideração as “preocupações legítimas” dos países vizinhos - numa referência indireta aos Estados do Golfo e ao risco de abertura de novas frentes, incluindo no Líbano, com o Hezbollah.
Desde o início da ofensiva, a diplomacia chinesa tem condenado os ataques e apelado à contenção, mas não tinha sido divulgado até agora qualquer contacto direto ao mais alto nível entre Pequim e Teerão.
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