Apoio ao Ruanda: "Janela de oportunidade da UE está aberta"
UE ainda não tem planos de financiamento à força ruandesa em Moçambique. "Isso é grave," diz eurodeputado, mas "não foram esgotadas todas as vias para um consenso". Ação do Ruanda na RDC torna financiamento "sensível".
Kigali anunciou recentemente que vai retirar as suas forçasde Cabo Delgado, norte de Moçambique, surpreendendo diversos setores. Em causa estão as faltas de garantias de continuídade de financiamento às suas operações contra a insurgência, garantido pela União Europeia (UE) até maio. Por 36 meses os 27 desembolsaram 40 milhões de euros para garantir a presença das forças ruandesas próximo dos interesses do gás explorado por multinacionais em Cabo Delgado.
"Não investimos centenas de milhões de dólares e os nossos soldados das RDF não fizeram o sacrifício supremo para estabilizar esta região, permitir que os deslocados internos regressassem a casa, as crianças regressassem à escola, as empresas reabrissem e os mega investimentos em GNL fossem retomados, apenas para ver os nossos valentes soldados a serem constantemente questionados, vilipendiados, criticados, culpados ou sancionados pelos mesmos países que beneficiam enormemente da nossa intervenção em Moçambique", disse o chefe da diplomacia reuandês, Olivier Nduhungirehe, no dia 15 de março.
E em meio ao silêncio dos 27, o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, esteve em Bruxelas esta semana. A DW entrevistou o eurodeputado Hélder Silva sobre as ameaças do Ruanda.
DW: Ao que tudo indica, a UE não vai financiar mais as forças ruandesas em Cabo Delgado. Que motivos estariam por detrás dessa decisão?
(HS): É preciso sermos claros sobre o que está realmente em causa. O financiamento da UE através do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, que totalizou 40 milhões de euros ao longo de 36 meses, expira em maio e não há, por enquanto, planos formais de renovação. Isso é grave, e não devemos minimizá-lo.
A verdade é que há um conjunto de fatores que tornaram esta decisão politicamente mais difícil para os Estados-membros. Os Estados Unidos sancionaram as Forças de Defesa do Ruanda pela sua intervenção direta no leste da República Democrática do Congo (RDC), em apoio ao grupo armado M23, e por violação dos Acordos de Washington assinados em dezembro de 2025. Paralelamente, a própria UE já havia sancionado responsáveis militares ruandeses pelo papel no Congo, em março de 2025. Num clima de crescente escrutínio sobre a conduta das Forças de Defesa do Ruanda, renovar o financiamento torna-se politicamente sensível para os 27. Contudo, não foram ainda esgotadas todas as vias político-diplomáticas para um consenso nesta questão.
Fonte: DW
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