A instalação de mísseis "Patriot" em Malatya "pode significar um nível mais avançado de participação da Turquia" no conflito contra o Irão
Para a especialista em política turca Isabel David, a instalação do sistema de defesa antimíssil tem como objetivo primário "evitar mais lançamentos por parte do Irão”, mas sugere também um reforço do "compromisso com as ações norte-americanas na região"
As forças armadas da Turquia anunciaram esta terça-feira a instalação de uma bateria de mísseis de defesa aérea Patriot, de fabrico norte-americano, no centro do país, um dia depois da segunda interceção de um míssil alegadamente disparado do Irão.
"Foi instalado um sistema Patriot para reforçar a proteção do nosso espaço aéreo, em Malatya", província a leste de Anatólia, informou o ministério da Defesa turco em comunicado, região onde está instalada a base militar norte-americana de Kurecik.
Para a especialista em política turca Isabel David, a instalação do sistema de defesa antimíssil tem como objetivo primário "evitar mais lançamentos por parte do Irão”, mas sugere também não só um "maior nível de envolvimento" da Turquia no conflito com o Irão, como também um reforço do "compromisso com as ações norte-americanas na região".
"O Irão tem tido uma posição relativamente firme sobre estes incidentes. Primeiro diz que são ações de Israel ou dos Estados Unidos para provocar a Turquia contra o Irão, mas depois também afirma que foi um erro de algumas forças iranianas e que não voltará a acontecer. Mas, de qualquer forma, os turcos acreditam que a diplomacia não é suficiente para evitar este tipo de incidentes", observa Isabel David.
A especialista em política turca destacou ainda outro fator que pode influenciar a atual posição turca: a possibilidade de grupos curdos no Irão avançarem com ações armadas contra o regime iraniano. A Turquia receia, na análise de Isabel David, que o envolvimento dos turcos coloque em causa o processo de paz em curso.
"A Turquia não quer claramente que os americanos envolvam os curdos nesta ação, porque isso significaria também derrubar o que tem sido o processo de paz com os curdos no último ano. É um processo que está em curso e que estará a correr bem", indica.
Por isso mesmo, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, falou com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, para comunicar "o incómodo da Turquia perante a possível solução de colocar curdos no terreno".
"Os curdos veem aqui mais uma oportunidade para avançar com a sua causa e Israel tem como objetivo patrocinar a criação de um Estado curdo ou grande autonomia curda no Médio Oriente, que obviamente será pró-Israel e isso poderá ter um efeito desestabilizador na região e causar também aumento do nacionalismo iraniano", explica ainda Isabel David.
A NATO confirmou na segunda-feira o abate de um míssil destinado à Turquia, sem especificar a sua origem, e afirmou estar preparada para "defender todos os aliados contra qualquer ameaça".
"A NATO voltou a intercetar um míssil destinado à Turquia. A NATO mantém-se firme na sua prontidão para defender todos os aliados contra qualquer ameaça", indicou a porta-voz da Aliança Atlântica, Allison Hart, em resposta à agência Lusa.
Segundo o governo da Turquia, "fragmentos do míssil caíram em campos em Gaziantep [sudeste da Turquia]", mas "o incidente não causou vítimas nem feridos".
Um incidente idêntico já tinha sido denunciado pela Turquia na quarta-feira, 4 de março, ao quarto dia da guerra desencadeada pela ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irão.
Fonte: CNN
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