O ex-conselheiro do Presidente de São Tomé e Príncipe, cidadão sueco detido no Príncipe, era procurado pela Interpol por violação sexual grave, ofensas corporais e armas proibidas, anunciou a Polícia Judiciária.

O sueco ex-conselheiro do Presidente são-tomense, detido na ilha do Príncipe, era procurado pela Interpol pelos crimes de violação sexual grave, detenção e uso de armas proibidas e outros crimes, anunciou esta terça-feira (24.02) a Polícia Judiciária são-tomense.

Segundo o diretor da Polícia Judiciária (PJ) são-tomense, Domilzio Matos, o pedido de colaboração internacional foi emitido pelas autoridades suecas através da Interpol, na sexta-feira, face a elementos que apontavam para a presença do visado em São Tomé e Príncipe.

Domilzio Matos disse que foi solicitada a confirmação da informação e o "cumprimento daquele mandado de detenção internacional, pela prática de crimes de ofensas corporais grave, detenção e uso de armas proibida, violação sexual grave com recurso a administração às vítimas, contra a sua vontade expressa e mediante uso de força, de drogas incapacitante da sua resistência".

"As diligências encetadas na sequência do vertente pedido de auxílio foram integralmente realizadas pelo efetivo desta polícia, em observância ao princípio constitucional da soberania nacional, em articulação com o titular da ação penal, e não por elementos afetos a serviços da Interpol de países estrangeiros nem por qualquer entidade nacional", precisou o diretor da PJ são-tomense em conferência de imprensa.

O responsável disse ainda que confirmou-se que, "tendo exercido funções como conselheiro de órgão de soberania" de São Tomé e Príncipe, o cidadão sueco "encontrava-se na posse de passaporte diplomático regularmente emitido pelas autoridades são-tomenses", e também apurou-se que foi exonerado em data anterior ao pedido de colaboração das autoridades suecas.

O homem detido no domingo, num hotel na ilha do Príncipe, foi entregue na tarde de segunda-feira ao Ministério Público, onde seguem os processos para a sua audição e consequente extradição.

Segundo uma fotografia do passaporte diplomático que circula nas redes sociais, o homem chama-se Carlsson Stig Karl-Magnus, nasceu em 08 de janeiro de 1964 e tem nacionalidade sueca.

O passaporte diplomático tem a data de emissão em 05 de dezembro de 2025 e é válido até 04 de dezembro de 2030.

A Presidência da República reagiu através de um comunicado publicado no Facebook, no sábado. "Em data posterior à nomeação de um determinado indivíduo como Conselheiro Especial do Presidente da República, a Presidência da República foi informada pelo próprio de que decorria num país estrangeiro um processo judicial de foro estritamente pessoal e em tudo alheio às funções que desempenhava junto à Presidência, em que o nome do mesmo era citado", lê-se no comunicado.

Na nota refere-se ainda que, depois desta informação, "o Presidente da República decidiu exonerar o indivíduo em causa das funções de Conselheiro Especial", o que fez através de um Decreto Presidencial datado de 04 de fevereiro.

Já em abril de 2022, numa situação semelhante, o Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, exonerou um conselheiro especial, de nacionalidade alemã, face às notícias do seu alegado envolvimento em tráfico de influências.

Na altura, o chefe de Estado são-tomense justificou a decisão com a necessidade de "acautelar a imagem externa" de São Tomé e Príncipe face às notícias que indicavam que o exonerado se encontrava "sob processo de investigação".

Stephan Welk havia sido nomeado em 27 de janeiro do mesmo ano, para prestar "informações técnicas especializadas" a Carlos Vila Nova, no âmbito das relações internacionais, para lhe permitir, "em concertação com o Governo, encontrar mecanismos plausíveis que possibilitem a busca de melhores soluções para o desenvolvimento socioeconómico do país", de acordo com o decreto presidencial de nomeação.

Fonte: DW



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