Nuclear: Aumenta a tensão entre o Irão e os EUA

 Os discursos sobem de tom: EUA ameaçam atacar o Irão caso este não aceite um novo acordo nuclear e Teerão, por sua vez, diz que em nome da autodefesa responderá a qualquer ataque. Analistas apontam risco de conflito.

Os Estados Unidos e o Irão têm prevista para a próxima quinta‑feira (25.02) uma nova ronda de negociações sobre o programa nuclear iraniano, em Genebra. A confirmação foi dada este domingo (22.02) pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, país que tem feito a mediação entre as duas partes.

Na rede social X, o chefe da diplomacia de Omã afirmou que as conversações foram marcadas "por um impulso positivo”, e que há vontade para avançar na finalização de um acordo. O último diálogo entre as partes tinha acontecido na última terça-feira (17.02).

Mas este anúncio surge num momento de forte tensão entre o Irão e os Estados Unidos. A Administração Trump insiste que está preparada para lançar ataques limitados caso Teerão não aceite um novo acordo nuclear. Washington reforçou a sua presença militar no Médio Oriente com dois porta‑aviões, aviões de combate e sistemas adicionais de defesa aérea.

O conselheiro de Donald Trump para o Médio Oriente, Steve Witkoff, disse à Fox News que o Presidente continua perplexo com a posição iraniana.

"O Presidente pergunta por que razão o Irão ainda não cedeu, apesar da pressão e do poder naval que temos na região. Se dizem que não querem uma arma nuclear, porque não dizem claramente o que estão dispostos a fazer? É difícil levá‑los a esse ponto”, reconhece.

Irão ameaca responder

Teerão, por seu lado, mantém a postura. Diz que não cederá a pressões externas e que não se sente intimidado pelo reforço militar norte‑americano. O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou à CBS que o Irão responderá a qualquer ataque.

"Se os EUA nos atacarem, isso é um ato de agressão. A nossa resposta será autodefesa, legítima e justificável", garante.

E o chefe da diplomacia acrescenta: "Os nossos mísseis não podem atingir território americano, por isso teremos de atingir bases norte‑americanas na região. Isso é um facto.” Ainda assim, Araghchi insiste que a diplomacia continua a ser o melhor caminho.

"Se querem resolver a questão do programa nuclear pacífico do Irão, a única via é a diplomacia. Já provámos isso no passado. Há uma boa oportunidade para uma solução em que todos ganhem, e essa solução está ao nosso alcance. Não há necessidade de reforço militar”, conclui.

Riscos de conflito

Apesar do otimismo oficial, vários analistas alertam que as hipóteses de um acordo negociado estão a diminuir e que o risco de um conflito militar está a aumentar.
Países vizinhos do Irão — e também Israel — consideram neste domingo (22.02) maior probabilidade de um confronto do que um entendimento, sublinhando que a mobilização militar norte‑americana na região é comparável à que antecedeu a invasão do Iraque em 2003.

Fontes israelitas dizem que o Governo de Telavive acredita que as negociações entre Washington e Teerão chegaram a um impasse. Israel está a preparar‑se para uma eventual operação conjunta com os Estados Unidos, embora ainda não exista decisão final.

Se isso acontecer, será a segunda vez em menos de um ano que forças norte‑americanas e israelitas atacam alvos iranianos, depois dos bombardeamentos de junho passado contra instalações militares e nucleares.

Fonte: DW



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