Uganda inicia contagem dos votos entre denúncias de fraudes

 A contagem dos votos, cujos resultados são esperados dentro de 48 horas, foi filmada pelo canal de televisão privado NBS em várias assembleias de voto em todo o país.

Funcionários com coletes liam os nomes nos boletins de voto, muitas vezes ao ar livre, para algumas dezenas de pessoas.

Muitos observadores veem estas eleições no Uganda como uma formalidade para o atual Presidente, Yoweri Museveni, um antigo líder guerrilheiro de 81 anos, que procura um sétimo mandato consecutivo, confiando no seu controlo total do aparelho eleitoral e de segurança.

A população não tem acesso à internet, que foi desligada pelas autoridades na terça-feira, e uma grande presença de segurança foi mobilizada em todo o país.

O principal opositor de Museveni é o ex-cantor Bobi Wine, de 43 anos, que se autointitula o "presidente do gueto", uma referência ao bairro da sua infância numa das favelas da capital, Kampala.

Problemas técnicos significativos interromperam a votação em todo o país, e a oposição alega que estas interrupções foram um ato "deliberado" para garantir a vitória de Yoweri Museveni.

Depois de votar, rodeado de um forte esquema de segurança e de uma multidão de apoiantes, Bobi Wine - cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi - apontou os problemas técnicos do dia "entre outras irregularidades". Wine acusou hoje o Governo de "fraude eleitoral em massa" e de prender membros do seu partido sob o pretexto do apagão da internet, alegações que não puderam ser verificadas.

O Presidente Museveni, por sua vez, acusou a oposição de ter "fraudado as urnas" durante as eleições presidenciais de 2021, que alega ter ganhado com "mais de 70%" dos votos, e não com 58%, como afirma a comissão eleitoral.

Manifestou confiança em alcançar 80% dos votos na eleição de hoje, mas reconheceu as dificuldades técnicas encontradas pelas máquinas biométricas destinadas a verificar a identidade dos eleitores, de que ele próprio foi testemunha.

"Coloquei a impressão digital do meu polegar direito. A máquina não a aceitou. Por isso, coloquei a do esquerdo. Também não a aceitou", mas "o meu rosto foi aceite pela máquina", disse Museveni à imprensa hoje de manhã, após votar em Rwakitura (oeste do Sudão).

A votação decorreu numa atmosfera "marcada pela repressão e intimidação generalizadas", observou a ONU.

Fonte: DW



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