Trump pondera lançar novo ataque de grande escala contra o Irão
Presidente dos EUA avalia eventuais ataques aéreos militares contra líderes iranianos e autoridades de segurança, bem como ataques a instalações nucleares iranianas e instituições governamentais
O presidente dos EUA, Donald Trump, está a ponderar um novo e importante ataque ao Irão, depois de as discussões preliminares entre Washington e Teerão sobre a limitação do programa nuclear e da produção de mísseis balísticos do país não terem avançado, indicam fontes ligadas ao assunto.
As últimas ameaças de Trump foram recebidas com indignação por parte de Teerão, que prometeu uma resposta imediata a qualquer ação militar dos EUA. Um dos principais conselheiros do líder supremo Ali Khamenei chegou mesmo a ameaçar atacar Israel caso o ataque se concretize.
Trata-se de uma rápida mudança de foco nos objetivos publicamente declarados pela administração norte-americana em relação ao Irão, e ocorre apenas algumas semanas depois de Trump ter considerado seriamente uma ação militar, que apresentou como uma ação de apoio aos protestos em todo o país. Os manifestantes enfrentaram uma violenta repressão por parte das forças de segurança, resultando em centenas de mortos.
Na quarta-feira, Trump publicou uma mensagem na rede social Truth Social a exigir que o Irão se sentasse à mesa das negociações para "um acordo justo e equitativo – SEM ARMAS NUCLEARES". O presidente alertou que o próximo ataque dos EUA ao país "será muito pior" do que o do verão passado, quando os militares norte-americanos atacaram três instalações nucleares do Irão.
As opções em cima da mesa incluem ataques aéreos militares dos EUA contra líderes iranianos e autoridades de segurança consideradas responsáveis pelas mortes de manifestantes, bem como ataques a instalações nucleares iranianas e instituições governamentais, indicam as fontes. Trump ainda não tomou uma decisão final sobre como proceder, mas acredita que as suas opções militares são agora mais amplas em relação ao início deste mês, agora que um grupo de ataque de porta-aviões dos EUA está destacado na região.
O Grupo de Ataque do Porta-Aviões USS Abraham Lincoln entrou no Oceano Índico na segunda-feira e continua a aproximar-se do Irão, onde poderá apoiar quaisquer potenciais operações contra o país, tanto auxiliando em ataques como protegendo os aliados regionais de possíveis represálias iranianas.
Os EUA e o Irão têm vindo a trocar mensagens — incluindo através de diplomatas omanitas e entre o enviado diplomático de Trump, Steve Witkoff, e o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi — no início deste mês sobre uma possível reunião para evitar um ataque dos EUA, que Trump tem vindo a ameaçar em resposta às mortes de manifestantes.
Houve uma breve discussão sobre um encontro presencial, mas isso nunca se concretizou, segundo uma fonte. Não houve negociações diretas sérias entre os EUA e o Irão, dado que Trump intensificou as ameaças de ação militar nos últimos dias, de acordo com outra pessoa ligada ao assunto.
Não se sabe ao certo a razão pela qual Trump voltou a concentrar-se no programa nuclear iraniano, que, segundo o próprio, tinha sido "aniquilado" pelos ataques norte-americanos no Verão passado. Certo é que o Irão tem tentado reconstruir as suas instalações nucleares ainda mais profundamente no subsolo, revela uma fonte com informações recentes dos serviços de informação norte-americanos sobre o assunto, e há muito que resiste à pressão dos EUA para travar o enriquecimento de urânio. O regime proibiu também a agência nuclear da ONU de inspecionar as suas instalações nucleares.
No meio das ameaças de ação militar, os EUA exigiram também pré-condições para uma reunião com as autoridades iranianas, incluindo o fim permanente do enriquecimento de urânio, fundamental para o programa nuclear do Irão, novas restrições ao programa de mísseis balísticos iraniano e a suspensão de todo o apoio a grupos apoiados pelo Irão na região.
O principal ponto de discórdia, segundo as mesmas fontes, tem sido a exigência dos EUA de que o Irão concorde em impor limites ao alcance dos seus mísseis balísticos — uma preocupação aguda para Israel, que gastou grande parte do seu arsenal de intercetores de mísseis a abater mísseis balísticos iranianos durante a guerra de 12 dias, em junho do ano passado. O Irão resistiu a esta exigência e disse aos EUA que só iria discutir o seu programa nuclear. Os EUA não responderam, deixando ambos os lados num impasse.
Um responsável norte-americano disse na segunda-feira que o governo continua disposto a dialogar com o Irão, desde que “eles saibam quais são os termos”.
“Estamos abertos a negócios, por isso, se quiserem entrar em contacto connosco e souberem quais são os termos, então falaremos”, afirmou o responsável, em declarações aos jornalistas.
Sem adiantar mais detalhes sobre esses termos, o funcionário acrescentou apenas que esses pontos “foram divulgados durante todo o início da administração Trump, por isso estão cientes dos termos”.
Mesmo assim, os EUA estão a preparar-se para uma possível ação. As forças armadas norte-americanas têm deslocado sistemas de defesa aérea para a região, incluindo baterias Patriot adicionais, para ajudar a proteger as forças norte-americanas de uma possível retaliação iraniana, adiantou um responsável norte-americano. Os EUA planeiam também deslocar um ou mais sistemas de defesa antimíssil THAAD para a região, segundo várias fontes.
Entretanto, a Força Aérea dos EUA vai realizar um exercício aéreo de vários dias no Médio Oriente, permitindo aos militares que demonstrem que “podem dispersar, operar e gerar missões de combate em condições exigentes — com segurança, precisão e ao lado dos aliados”, refere o tenente-general Derek France, comandante da Força Aérea do Comando Central dos EUA (AFCENT) e comandante da Componente Aérea das Forças Combinadas, citado em comunicado.
O principal diplomata do Irão, Araghchi, alertou na quarta-feira que as forças armadas do país estão totalmente preparadas para responder “imediatamente e com força” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas territoriais do Irão.
“As nossas corajosas Forças Armadas estão preparadas — com o dedo no gatilho — para responder imediata e poderosamente a QUALQUER agressão contra a nossa amada terra, ar e mar”, escreveu Araghchi em inglês, na rede social X. O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que as declarações foram uma resposta às ameaças de Trump.
Ali Shamkhani, um importante conselheiro do Líder Supremo Khamenei, alertou no X que qualquer ação militar seria considerada o início de uma guerra e prometeu uma resposta “sem precedentes”, citando especificamente Telavive como alvo.
Fonte: CNN
Comentários
Enviar um comentário