Três acidentes em dois dias: desastres ferroviários em Espanha provocam mais de 40 mortos
Girona, Barcelona e Adamuz foram as três regiões de Espanha afetadas com acidentes ferroviários que registaram mais de 40 mortos.
Esta terça-feira, a Catalunha registou um descarrilamento junto Lloret de Mar, na província de Girona. O comboio terá saído da linha devido a uma pedra na via, na sequência do mau tempo que está a assolar Espanha, segundo o "El País".
A ocorrência aconteceu na linha R1 da rede ferroviária suburbana de Rodalies, entre Maçanet Massanes e Tordera (Barcelona). Segundo fontes da Adif, seguiam dez passageiros a bordo do comboio e não houve feridos.
Barcelona
O incidente em Girona ocorreu depois de - no mesmo dia - um comboio de passageiros colidir com um muro de contenção que colapsou sobre os carris em Barcelona, que provocou a morte de um maquinista de 28 anos que estava em fase de treino.
A polícia catalã está a investigar as causas. A Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) vai esclarecer definitivamente as circunstâncias do acontecimento. Por enquanto, sabe-se que a locomotiva envolvida era da Classe 447.
A investigação também vai determinar qual dos três maquinistas estava a operar o comboio no momento do acontecimento fatal. De acordo com as primeiras conclusões, o impacto mais severo ocorreu no lado direito da cabine, o lado onde fica o assento do maquinista.
Os comboios suburbanos estão parados em toda a região espanhola da Catalunha por tempo indeterminado.
Do acidente resultaram cerca de 40 feridos, cinco deles em estado grave, escreve o “La Vanguardia”. Para o local foram enviadas cerca de 15 ambulâncias e 11 equipas de bombeiros, referiram fontes dos Mossos d’Esquadra (Polícia da Catalunha).
Francisco Cárdenas, maquinista e representante da UGT (União Geral de Trabalhadores) para a Renfe na Catalunha, admitiu ao "EL PAÍS" que o local do acidente em Gelida não era “considerado um ponto problemático pelos maquinistas”.
No entanto, Cárdenas denunciou o estado da infraestrutura da rede ferroviária suburbana Rodalies: “Já houve mortes demais, enquanto denunciamos as péssimas condições das instalações há anos. É vergonhoso que uma tragédia tenha que acontecer para que as coisas sejam consertadas”.
Adamuz
Já em Adamuz, local do primeiro acidente no domingo, regista - até ao momento - 43 mortos e 42 desaparecidos. Segundo dados oficiais, foram atendidas em hospitais 122 pessoas feridas no desastre de domingo e 39 continuam internadas, 13 delas em unidades de cuidados intensivos.
As duas últimas carruagens invadiram a via contrária e embateram num comboio Alvia de longo curso Madrid-Huelva, que passava na linha invadida nesse momento. As duas primeiras carruagens do Alvia foram projetadas para fora da via e caíram num aterro de quatro metros de altura, tendo os seus passageiros sido os mais gravemente afetados.
Adif informou que, por volta das 2h40 da manhã desta quarta-feira a carruagem número oito do comboio da Iryo, o único que tombou, foi içado com sucesso e removido do local.
O comboio apresenta marcas nas rodas das cinco primeiras carruagens que passaram antes do descarrilamento, conforme evidenciado pelo trabalho realizado pela Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF).
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