Donald Trump discursa em Davos: Europa “não está a ir na direção certa”

 Presidente dos EUA elogia economia americana, critica governos ocidentais por “voltarem as costas a tudo o que torna as nações ricas, poderosas e fortes”, e deixa promessa de não recorrer à força em relação à Gronelândia.

Quando Donald Trump iniciou o seu discurso esta quarta-feira no Fórum de Davos, na Suíça, arrancou risos ao dizer que estava perante “muitos amigos, alguns inimigos”. Na intervenção - que ainda decorre - o Presidente dos EUA arrancou com uma descrição do “milagre económico” que entende que o país viveu, mas não tardou a criticar este lado do Atlântico: “Há locais na Europa que já nem são reconhecíveis”.

“Adoro a Europa e quero que tenha sucesso, mas não está a ir na direção certa”, afirmou o Presidente americano. Trump criticou gastos governamentais, “migração em massa sem controlo” e políticas ambientais, acusando governos ocidentais de seguirem o percurso do seu antecessor Joe Biden e de “voltarem as costas a tudo o que torna as nações ricas, poderosas e fortes”, sem apresentar dados concretos.

Voltando-se para acontecimentos recentes, Trump afirmou que os EUA estão a “ajudar” a Venezuela - atacada no arranque deste ano pelos Estados Unidos - e menciona que recebeu 50 milhões de barris de petróleo cujos rendimentos serão divididos com o país. “Quando o ataque acabou disseram ‘vamos fazer um acordo’. Mais pessoas deviam fazê-lo”, descreveu, acrescentando que a Venezuela fará mais dinheiro nos próximos seis meses do que nos últimos 20 anos.

Esta edição do Fórum Económico Mundial, que junta anualmente em Davos as elites económica e política mundiais, dá-se num contexto de alta tensão entre os Estados Unidos e a Europa devido à questão da Gronelândia.

Trump descreve que questões como a energia, o comércio, a imigração e o crescimento económico “devem ser preocupações centrais para quem quer ver um Ocidente forte e unido” e que os países da Europa “precisam de sair da cultura que criaram ao longo dos últimos dez anos”.

“É horrível o que estão a fazer a si mesmos. Estão a destruir-se. Queremos aliados fortes, não aliados seriamente enfraquecidos. Queremos que a Europa seja forte, em última análise, estas são questões de segurança nacional e talvez nenhuma questão actual deixe a situação mais clara do que o que está a acontecer actualmente com a Gronelândia”, observa.

Indicando que ponderou deixar o tema fora do discurso - e arrancando com palavras de “respeito” pelo povo da Groenlândia e da Dinamarca - alegou que todos os aliados da NATO têm a obrigação de defender o seu território e que apenas os Estados Unidos têm essa capacidade.

Trump descreve que a importância da Groenlândia se cinge à sua localização estratégica entre EUA, Rússia e China e de “segurança nacional”, rejeitando interesse em minerais. “Estou a procurar negociações imediatas para discutir novamente a aquisição da Gronelândia pelos Estados Unidos”, indicou, argumentando que “não seria uma ameaça à NATO, iria aumentar a segurança de toda a aliança”.

O Presidente americano lamentou o que considera ser um “tratamento injusto” recebido pelos EUA por parte da NATO: “damos tanto e recebemos tão pouco em troca”. Apesar das sucessivas queixas, Trump deixou um compromisso de não recorrer à força, um cenário que ainda não tinha sido excluído pelos EUA. “Nunca pedimos nada e nunca recebemos nada. Provavelmente não conseguiremos nada, a não ser que eu decida usar força excessiva, o que nos tornaria, francamente, imparáveis. Mas não o farei", afirmou.


Fonte: Expresso



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