Banco de Moçambique corta juros e lança alerta aos mercados
O Banco de Moçambique anunciou, esta quarta-feira, um novo corte da taxa MIMO para 9,25 por cento, sinalizando confiança no controlo da inflação, mas avisando que o espaço para mais reduções da taxa de juro poderá estar a esgotar-se.
A trajetória da inflação tem sido favorável. Em Dezembro de 2025, a inflação anual fixou-se em 3,2 por cento, uma desaceleração face aos 4,4 por cento registados em Novembro. Segundo o comunicado assinado pelo Governador Rogério Zandamela, este cenário reflete a estabilidade do Metical e dos preços internacionais das mercadorias, além de uma procura interna contida.
Apesar do alívio na política monetária, os indicadores económicos apresentam sinais de alerta: O PIB (excluindo o GNL) contraiu 1,3 por cento no terceiro trimestre de 2025. A recuperação prevista deverá ser lenta, condicionada por choques climáticos.
O endividamento público interno continua a crescer, situando-se agora em 485 mil milhões de meticais um aumento de 11,1 mil milhões apenas desde Dezembro de 2025. O Banco Central alerta que os atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado estão a gerar rigidez nas taxas de juro do mercado interbancário.
Pela primeira vez em meses, o CPMO afirmou explicitamente que, face ao agravamento dos riscos, “considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MΙΜΟ”.
Entre os principais factores de incerteza que podem travar novos cortes no futuro, destacam-se o impacto de inundações recentes na cadeia logística e na oferta de bens. O agravamento de conflitos internacionais que podem encarecer o preço de alimentos e mercadorias importadas. O impacto dos atrasos nos pagamentos do Estado.
Fonte: Folha de Maputo
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