Christian Gläßel: “Os oportunistas querem parecer super leais” e a ambição ajuda a construir regimes autoritários
Nos regimes autoritários, há os que fazem o “trabalho sujo” por ideologia ou fanatismo, mas uma grande parte dos funcionários são simplesmente movidos pela falta de oportunidades. Mais de 50 anos depois da morte da filósofa Hannah Arendt, Christian Gläßel, politólogo do Centro para a Segurança Internacional da Hertie School, em Berlim, explica porque é que os ataques aos tribunais e à burocracia devem ser levados a sério e o que Putin e a administração Trump têm em comum.
hristian Gläßel, investigador do Centro para a Segurança Internacional da Hertie School, em Berlim, e professor de Política Internacional no Trinity College de Dublin, dedicou seis anos da sua investigação académica a compreender as pessoas que tornam possível uma autocracia. O investigador das anatomias dos aparelhos de segurança autoritários e coautor, com Adam Scharpf, de “Making a Career in Dictatorship: The Secret Logic Behind Repression and Coups”, mergulhou numa série de dados de carreiras militares e arquivos históricos, tendo recebido em 2026 o Prémio de Melhor Livro da European Political Science Society.
Militares da ditadura argentina, burocratas envolvidos no Holocausto e, hoje, funcionários do regime de Vladimir Putin (e até de Donald Trump) viram as suas vulnerabilidades individuais exploradas para a sobrevivência dos regimes, defende, nesta entrevista ao Expresso. O politólogo admite que é necessário observar os primeiros ataques ao Estado de direito, aos tribunais e à burocracia, estruturas capazes de limitar um governante eleito, e avisa, sobre os potenciais autocratas.
Fonte: Expresso

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