Cancelamento de evento de influenciador de extrema-direita em Bilbau não evita noite de distúrbios e vandalismo
19 pessoas foram detidas na sequência de distúrbios, após um protesto contra a presença do influenciador digital de extrema-direita Vito Quiles na Universidade de Deusto.
A polícia basca (Ertzaintza) deteve esta segunda-feira em Bilbau 19 pessoas e está a investigar outras três por causa de distúrbios, como queima de carros e contentores de lixo, além de ataques a estabelecimentos comerciais.
Os protestos foram protagonizados por grupos radicais contra um evento do influenciador digital de extrema-direita Vito Quiles, marcado para as 19h00 (18h00 em Lisboa), que acabou por ser cancelado.
Entre os detidos encontram-se sete menores, três jovens de 18 anos e um de 19, enquanto outros oito continuam sob investigação. As restantes três pessoas investigadas são um menor de 17 anos e dois jovens de 22, segundo informou a Ertzaintza.
Os desacatos ocorreram após uma manifestação de milhares de manifestantes "antifascistas" em frente à Universidade de Deusto. O próprio Quiles anunciou o cancelamento do evento nas suas redes sociais cerca de meia hora antes da hora prevista, alegando motivos de segurança.
Após a dispersão da manifestação, centenas de radicais deslocaram-se para a avenida Lehendakari Aguirre, nas proximidades. Aí, incendiaram uma mota da Polícia Municipal e dezenas de contentores de lixo arrastados para o meio da estrada, além de lançarem pedras contra os agentes e contra a esquadra da Ertzaintza, no bairro de Deusto. Pouco antes, um contentor de entulho tinha sido incendiado na rua Francesc Maciá, onde também foram lançados foguetes e pedras contra as autoridades.
Posteriormente, os distúrbios alastraram-se à Praça de Euskadi (junto à ponte de Deusto) e ao centro da cidade, resultando na destruição por fogo de cerca de meia dúzia de veículos e de mais lixeiras.
O lehendakari (presidente do governo basco), Imanol Pradales, manifestou "profunda preocupação" com estes atos "intoleráveis" e "inaceitáveis". No mesmo sentido, o conselheiro basco de Segurança, Bingen Zupiria, apontou que parece haver uma tentativa de "emular movimentos violentos vistos noutras partes da Europa". Por sua vez, o presidente da Câmara de Bilbau, Juan Mari Aburto, classificou os incidentes como aterradores e expressou solidariedade aos comerciantes afetados e aos habitantes que viveram "uma tarde absolutamente horrorosa".
Antes dos confrontos, milhares de pessoas responderam à convocatória de coletivos "antifascistas" junto ao campus da Universidade de Deusto. A instituição académica decidira suspender todas as atividades e encerrar o campus durante a tarde por precaução, uma decisão criticada pelo conselheiro basco para a Ciência, Universidades e Inovação, Juan Ignacio Pérez Iglesias.
Fonte: Expresso

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