Ataque dos rebeldes hutis atinge sede da petrolífera saudita Aramco
A intensificação dos combates entre as forças hutis e as tropas leais ao Governo internacionalmente reconhecido do Iémen continua, com apoio aéreo da Arábia Saudita.
A Arábia Saudita comunicou hoje um ataque contra a sede da petrolífera estatal Aramco, em Dhahran (nordeste), após os rebeldes hutis, do Iémen, ameaçarem atacar as instalações, num momento de escalada do conflito entre as duas partes.
De acordo com a agência de imprensa saudita, uma fonte do Ministério da Energia declarou que, na tarde de terça-feira, um dos edifícios da Aramco em Dhahran foi alvo de um ataque que provocou um incêndio, sem causar feridos nem vítimas mortais.
O anúncio surge depois de os hutis terem ameaçado lançar uma operação em grande escala contra a sede da Aramco, bem como contra uma refinaria da mesma empresa na capital do reino árabe, Riade, em resposta aos bombardeamentos em Sanaa por parte da coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém no Iémen desde 2015.
A aliança, que apoia o Governo iemenita internacionalmente reconhecido, bombardeou na terça-feira o principal depósito de combustível da capital iemenita, nas mãos dos hutis desde 2014.
Por seu lado, coligação militar anti-hutis liderada pela Arábia Saudita disse, na terça-feira, em várias mensagens na rede social X, que intercetou e destruiu mísseis de cruzeiro e drones na região de Riade e nas zonas do sul do país.
Entre as interceções, o porta-voz da coligação militar, Turki al Maliki, anunciou também a interceção de um míssil balístico contra a cidade de Dhahran, onde se situa a sede da Aramco.
Esta escalada ocorre num contexto de intensificação dos combates entre as forças hutis e as tropas leais ao Governo internacionalmente reconhecido do Iémen, que contam com o apoio aéreo da Arábia Saudita na contraofensiva para recuperar o controlo das zonas nas mãos dos rebeldes, incluindo Sanaa.
A posição das forças xiitas que controlam o Iémen foi transmitida pelo porta-voz militar Yahya Sarea, num comunicado em que se referiu ao uso de "um grande número de mísseis balísticos e de cruzeiro, bem como drones".
Na mesma comunicação, Sarea afirmou que os ataques causaram destruição e incêndios nos alvos atingidos. As unidades hutis declararam que as operações contra o território saudita vão continuar nos próximos dias, visando aeroportos e instalações petrolíferas.
"As consequências vão ser desastrosas" ameaçou Yahya Sarea, reiterando o alerta para que todas as companhias de navegação internacionais, cidadãos e trabalhadores dos aeroportos e empresas se mantenham afastados e evacuem imediatamente os locais, "uma vez que se tornaram alvos".
A Defesa Civil saudita indicou que pelo menos quatro pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas pela queda de destroços de mísseis de cruzeiro intercetados sobre Riade, enquanto quinze casas foram danificadas.
As autoridades sauditas enviaram mensagens de alerta para os telefones dos habitantes, advertindo-os de uma "ameaça aérea" e aconselhando-os a procurar abrigo. O alerta foi levantado poucos minutos depois, de acordo com a AFP.
No passado fim de semana, pelo menos 17 pessoas morreram em ataques das forças hutis contra aeroportos sauditas, incluindo o da capital, Riade, que registou 13 vítimas mortais. Tratou-se da mais grave ação armada contra o país na última década.
Fonte: Expresso

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