Triunfo da AfD “vai contribuir para a narrativa de que a extrema-direita é vitoriosa além-fronteiras”, mas efeito dominó não é inevitável
A vitória da extrema-direita não deve ser subvalorizada, mas, por expressiva que tenha sido, num pequeno estado federado alemão, não pressupõe um dominó noutros países europeus, dizem analistas consultados pelo Expresso. O perigo mais imediato, e já presente, é a inclusão de partidos radicais em coligações de governo e a aproximação programática dos partidos tradicionais a estas ideias disruptivas na esperança vã de isso estancar a sangria.
Saxónia-Anhalt é apenas um de 16 estados federais alemães. Com apenas 2,1 milhões de habitantes, é uma das regiões que menos contribuem para o desempenho económico nacional. Apesar do foco da Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita) na imigração, os dados mostram que o aumento das naturalizações na região foi de apenas 3,6% face ao ano anterior, para 2915 cidadãos.
Nada disso impediu que a AfD obtivesse uma vitória esmagadora nas eleições estaduais de domingo. O resultado inédito da extrema-direita nestes 20 mil quilómetros quadrados — governados pelos democratas-cristãos do chanceler Friedrich Merz durante um quarto de século — refletem uma tendência europeia de há anos, que pode dar ânimo à onda populista.
Fonte: Expresso
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