Os avisos que chegaram à Casa Branca antes do 11 de Setembro: CIA divulga mais de 70 memorandos sobre Bin Laden

 


A CIA divulgou dezenas de memorandos destinados ao então Presidente Bill Clinton que ajudam a reconstruir o que os serviços secretos sabiam sobre a ameaça da Al-Qaida antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001. Os documentos mostram que os analistas identificaram sinais de ataques iminentes, embora sem conseguirem antecipar com precisão a dimensão e a forma como seriam executados.

25 anos depois, a CIA divulgou mais de 70 memorandos dos serviços de informações destinados ao presidente norte-americano sobre o grupo jihadista Al-Qaida e o seu antigo líder, Osama bin Laden.

Os documentos reúnem avaliações elaboradas por analistas para o Presidente dos Estados Unidos (EUA) e, de acordo com a agência de informação norte-americana “reconstituem a história da compreensão variável dos analistas da CIA sobre a Al-Qaida e os seus esforços para revelar os planos de atentados de Osama bin Laden, apesar de informações escassas, vagas e imperfeitas”.

Para a agência de informações dos EUA, esta divulgação revela "uma transparência sem precedentes sobre o dossiê de inteligência mais sensível dos Estados Unidos, abrangendo os anos anteriores e o período seguinte a um dos momentos mais sombrios" da história do país, mas quase todos os documentos contêm partes censuradas.

Os memorandos mostram que os serviços secretos acumularam, ao longo de vários anos, alertas sobre os planos de Bin Laden para atacar os Estados Unidos ou interesses norte-americanos no estrangeiro.

Um memorando de 10 de setembro de 1998 alertava o então presidente Bill Clinton que um grupo associado ao líder da Al-Qaida podia "fazer colidir um avião carregado de explosivos contra uma cidade dos EUA", embora salientasse que os dados de inteligência disponíveis não continham informações conclusivas sobre futuros planos de ataque da Al-Qaida.

Num memorando de fevereiro do mesmo ano, a CIA já dava conta de que Bin Laden e outros extremistas islâmicos se tinham reunido e acordado adquirir, através de mercados legais, substâncias químicas, biológicas e nucleares não especificadas. O relatório acrescentava que Bin Laden dispunha de empresas legítimas, relações comerciais e um império financeiro que poderiam facilitar a obtenção dessas armas e referia ainda que o líder da Al-Qaida tinha emitido uma fatwa apelando a todos os muçulmanos para que atacassem os interesses e civis dos EUA em todo o mundo até que os EUA se “retirassem” da Arábia Saudita e da “Palestina”.

A 4 de dezembro de 1998, noutro relatório, os analistas da CIA escreviam: "Osama bin Laden e os seus aliados estão a preparar-se para atentados nos Estados Unidos, incluindo o sequestro de um avião".

Outro documento, datado de poucas semanas antes dos ataques, detalha como a "tomada de decisões operacionais flexível e a definição ampla de alvos aceitáveis" da Al-Qaida permitiam ao grupo ajustar os seus planos à medida que as condições se alteravam.

Questionada sobre a divulgação, a Casa Branca destacou também a publicação, esta sexta-feira, de outro lote de documentos pelos Arquivos Nacionais.

O conjunto inclui entrevistas com responsáveis pela segurança nacional das administrações Clinton e Bush e foi produzido pela comissão que investigou os atentados entre 2002 e 2004.

A 11 de setembro de 2001, dois aviões sequestrados por membros da Al-Qaida atingiram as Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque. Os edifícios acabariam por ruir cerca de duas horas depois. Um terceiro avião embateu contra o Pentágono, nos arredores de Washington.

Um quarto aparelho despenhou-se perto de Shanksville, na Pensilvânia, depois de passageiros e tripulantes terem tentado recuperar o controlo da aeronave. Acredita-se que o avião tivesse como destino o Capitólio ou a Casa Branca.


Fonte: Expresso

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