NATO pede reforço do apoio à Ucrânia perante alegados atos de sabotagem russos



Estónia acusa Moscovo de ter ordenado um incêndio numa empresa de defesa, mas o Kremlin nega envolvimento. Mark Rutte diz que a melhor resposta aos incidentes é manter o apoio a Kiev.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, apelou esta terça-feira aos aliados para que mantenham o apoio militar e financeiro à Ucrânia, alertando que a Rússia está a tentar enfraquecer a solidariedade ocidental através de atos de sabotagem e outras operações de “natureza híbrida”.

Um pedido que surge numa altura em que aumenta a preocupação europeia com este tipo de incidentes. Na segunda-feira, os ministros da Defesa da União Europeia reuniram-se para discutir formas de reforçar a coordenação na resposta a atos de sabotagem e outras ameaças híbridas.

Já na semana passada, os serviços militares da Dinamarca alertaram para a possibilidade de novos ataques contra interesses ocidentais, embora considerem improvável uma invasão russa de qualquer país da NATO.

“O objetivo é enfraquecer a determinação dos aliados em continuar a apoiar a Ucrânia. Mas isso não está a acontecer”, afirmou esta manhã Mark Rutte, numa conferência de imprensa em Bruxelas.

As declarações surgem no mesmo dia em que a Estónia acusou os serviços secretos russos de terem ordenado um incêndio, em agosto, nas instalações da Milrem Robotics, fabricante de veículos terrestres não tripulados com sede em Talin. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Margus Tsahkna, classificou o caso como um ato de sabotagem.

Moscovo rejeitou de imeadiato a acusão, com o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a afirmar que as alegações “não correspondem à realidade”.

Questionado sobre a resposta da NATO a este tipo de incidentes, o secretário-geral admitiu que a expressão “ameaças híbridas” pode ser insuficiente para descrever a sua gravidade. Ainda assim, garantiu que a aliança dispõe de meios para reagir, mesmo que nem todas as medidas adotadas sejam públicas.

Ao lado do primeiro ministro da Lituânia, Mindaugas Sinkevičius, Mark Rutte insistiu num reforço do investimento na defesa. “Não devemos ser ingénuos em relação à Rússia”, apontou.

O primeiro-ministro lituano, por sua vez, chamou a atenção para uma postura russa cada vez mais agressiva, embora tenha frisado que não existem indícios de um ataque iminente contra qualquer Estado-membro da NATO.

Na segunda-feira, Alexus Grynkewich, comandante supremo das forças da NATO na Europa, disse que Moscovo procura criar um clima de insegurança entre as populações dos países aliados, na esperança de que estas pressionem os respetivos governos a reduzir o apoio a Kiev.

“Isso não está a funcionar", notou o general, perante os eurodeputados, concluindo que a pressão exercida pela Rússia pode produzir o efeito contrário ao pretendido e reforçar o apoio dos aliados à Ucrânia, em vez de o enfraquecer.


Fonte: Expresso

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