Irão diz que últimos ataques dos EUA provocaram pelo menos 11 mortos, incluindo quatro atingidos por estilhaços num casamento
Pelo menos 11 pessoas morreram durante a última série de bombardeamentos norte-americanos contra o Irão, entre a madrugada de terça-feira e esta quarta-feira, noticiou a agência de notícias oficial iraniana Irna.
Sete pessoas morreram e oito ficaram feridas num ataque com mísseis na província do Khuzistão (sudoeste) e quatro convidados de um casamento foram mortos na cidade de Kuhestak, na província de Hormozgan (sudeste), onde cerca de 50 pessoas foram ainda feridas, de acordo com a Irna.
Entre as vítimas do casamento estavam uma criança de quatro anos e um adolescente de 16 anos, segundo meios de comunicação estatais iranianos citados pelo "The Guardian".
O crescente Vermelho iraniano indicou que os estilhaços atingiram a casa onde decorria a cerimónia e apontou para mais de 50 feridos. Os Estados Unidos ainda não comentaram estas informações.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, condenou o alegado ataque norte-americano ao casamento e comparou os Estados Unidos a “Satanás”. Se uma potência age como Satanás, escolhe alvos como Satanás e mata como Satanás, é Satanás", escreveu na rede social X.
Ghalibaf recordou ainda dois outros ataques atribuídos aos Estados Unidos que terão provocado a morte de várias crianças o bombardeamento de uma escola em Minab e os ataques contra um pavilhão desportivo em Lamerd.
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou ainda que quatro elementos da sua força aeroespacial morreram num ataque norte-americano na província ocidental de Kermanshah. Não foi esclarecido se estas mortes estão incluídas no balanço divulgado pela Irna.
EUA atacaram após petroleiro ser atingido
Os ataques norte-americanos tiveram início pouco depois de o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, ter apelado para o regresso à diplomacia, atualmente num impasse.
Pezeshkian garantiu que, caso os Estados Unidos respeitassem o acordo assinado em junho, "a República Islâmica do Irão tomaria imediatamente medidas recíprocas".
A televisão estatal iraniana noticiou na terça-feira várias explosões no sul do país, perto de Bandar Abbas e da ilha de Qeshm, nas proximidades do estreito de Ormuz. Também relatou explosões na ilha de Lavan, situada no Golfo e que alberga um dos terminais de exportação de petróleo iraniano.
Os meios de comunicação estatais iranianos relataram ainda que um aeroporto no sul do Irão, na província de Kerman, foi alvo de um ataque.
Os ataques norte-americanos de terça-feira ocorreram pouco depois de dois petroleiros terem sido atingidos por "projéteis de origem desconhecida" enquanto saíam deste estreito estratégico, de acordo com a agência marítima grega Marisks.
Os preços dos hidrocarbonetos dispararam na sequência das novas hostilidades, com o barril de WTI norte-americano a ultrapassar novamente a barreira dos 90 dólares pela primeira vez desde o final de julho, e o gás europeu a ser negociado ao preço mais elevado dos últimos três anos.
Teerão promete “retaliações mais destrutivas”
Entretanto, o Irão afirmou ter lançado uma "operação decisiva de retaliação", visando "as bases e os interesses norte-americanos na região" com mísseis e drones, informou a agência de notícias estatal Tasnim.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão reivindicou posteriormente ataques contra bases militares norte-americanas na Jordânia, no Iraque e no Bahrein.
O exército da Jordânia anunciou ter destruído dez mísseis lançados a partir do Irão, acrescentando que outros três se tinham despenhado longe de zonas habitadas, sem causar feridos.
O Kuwait também declarou ter sido alvo de mísseis e drones, e sirenes de alerta soaram na madrugada de quarta-feira no Bahrein, segundo correspondentes da agência de notícias France-Presse.
O porta-voz do comando militar central do Irão, Ebrahim Zolfaghari, prometeu "retaliações mais amplas e mais destrutivas" caso os ataques norte-americanos continuem, dirigindo a mesma advertência a "qualquer país que coopere com o exército norte-americano agressivo".
Fonte: Expresso
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