Estados Unidos e Irão: choques agravam-se, petróleo volta a superar 100 dólares por barril
Preço do Brent dispara para acima de 100 dólares por barril após forças norte-americanas destruírem cinco petroleiros iranianos e Teerão retaliar com mísseis contra a Jordânia, agravando conflito que mantém o Estreito de Ormuz quase encerrado desde fevereiro.
O contrato de futuros de Brent para o mês mais próximo, referência internacional para o preço do petróleo, voltou a ultrapassar os 100 dólares por barril na manhã de quarta-feira, enquanto o padrão norte-americano, WTI, se mantinha em torno dos 95 dólares.
Os preços aumentaram quase 20% desde meados da semana passada, numa altura em que os combates em torno do mais importante ponto de estrangulamento mundial do comércio de petróleo voltaram a intensificar-se.
É também a primeira vez desde 23 de julho que o petróleo volta a atingir a fasquia dos 100 dólares.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que, a 8 de setembro, as suas forças destruíram cinco petroleiros iranianos que transportavam petróleo bruto, depois de a Guarda Revolucionária iraniana ter disparado mísseis balísticos contra um navio de guerra da Marinha norte-americana em duas ocasiões no espaço de dois dias. O comando não identificou o navio, mas indicou que não foi atingido e manteve a patrulha nas águas da região.
O episódio seguiu-se a um ataque semelhante em 5 de setembro, quando forças iranianas lançaram mísseis balísticos contra um porta-aviões e um contratorpedeiro norte-americanos, ambos ilesos. Em resposta, o Comando Central neutralizou ou destruiu três petroleiros iranianos.
Teerão retaliou lançando mísseis contra uma base militar norte-americana na Jordânia, onde os sistemas de defesa aérea intercetaram a maioria, e renovou ameaças de atacar petroleiros em águas do Kuwait e do Bahrein.
O Irão tem igualmente alertado repetidamente os navios para não utilizarem rotas não autorizadas no Estreito de Ormuz.
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, afirmou que Teerão irá declarar em breve uma zona de exclusão fora do estreito, advertindo que qualquer navio que entre sem coordenação com o Irão será incluído numa lista de sanções.
A Arábia Saudita também foi envolvida, com instalações da Aramco em Jazan novamente atacadas na segunda-feira, embora os danos tenham sido descritos como limitados.
Cerca de 7 milhões de barris por dia continuam a passar pelo Estreito de Ormuz, face a cerca de 20 milhões antes do início da guerra, em 28 de fevereiro.
Conflito sem fim à vista
A escalada militar decorre em paralelo com uma escalada financeira.
Washington lançou no final de agosto a Operação Pária Económico, que visa cortar o Irão do sistema financeiro global, atacando o acesso a ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou perto de 60 empresas, particulares e navios logo no arranque e tem sinalizado novas medidas semanalmente, com a União Europeia a apoiar a campanha este mês.
A retórica de ambos os lados endureceu.
O secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o país “vai destruir, e mesmo afundar, petroleiros iranianos” se o Irão disparar contra navios americanos, enquanto o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, respondeu: “atingem os nossos ativos e serão atingidos”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem insistido que a via marítima está a funcionar, tendo escrito na semana passada na Truth Social que “os volumes de Ormuz ESTÃO DE VOLTA” e alegando que estavam a fluir 18 milhões de barris por dia.
Já o secretário da Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, apontou para 17 milhões de barris de petróleo e produtos combinados na segunda-feira, reconhecendo que a média móvel de vários dias é substancialmente mais baixa.
Na conferência de imprensa da Casa Branca da semana passada, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, também recusou classificar o conflito em curso como guerra e afirmou que “a única razão pela qual não temos uma crise energética mundial é a liderança do Presidente”.
Perante os últimos desenvolvimentos, os analistas estão a rever em alta.
O Goldman Sachs aumentou na segunda-feira em 5 dólares as suas previsões para o Brent e o WTI, para 85 e 80 dólares, respetivamente, em dezembro, e alertou que os preços podem ultrapassar os 120 dólares no próximo ano se a produção no Golfo se mantiver 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis anteriores à guerra, embora o banco não considere esse cenário como base.
Fonte: Euronews
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